Inflação acima da meta em 2022: de quem é a 'culpa'?
Encarecimento da commodities e inércia de reajustes pressionaram preços, avalia Banco Central
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Pela primeira vez em quatro anos, a caderneta de poupança rendeu mais que a inflação. (foto - Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O encarecimento das commodities (bens primários com cotação internacional), os gargalos nas cadeias de produção globais e a inércia de reajustes do ano anterior (como aluguéis) foram os principais responsáveis por pressionar os preços em 2022.
A avaliação consta em carta enviada pelo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta semana, para justificar o descumprimento da meta de inflação no ano passado.
Segundo o documento, divulgado pela Agência Brasil, a autoridade monetária prevê que a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cairá de 5,79% em 2022 para 5% em 2023.
Mesmo assim, ficará acima da meta para este ano, fixada em 3,25%, podendo chegar a 4,75%, por causa da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
A volta da cobrança de tributos sobre os combustíveis que tinha sido reduzida em 2022, destacou o presidente do BC, terá impactos na inflação deste ano.
“Nesse cenário, em 2023, a inflação ainda se mantém superior à meta, em virtude principalmente da hipótese do retorno da tributação federal sobre combustíveis nesse ano e dos efeitos inerciais da inflação de 2022”, escreveu Campos Neto na carta.
Só em 2024
De acordo com o presidente do BC, a inflação só ficará dentro da meta a partir de 2024, quando deverá ficar em 3%, e em 2025 (2,8%).
Para esses dois anos, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece uma meta de 3% para o IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Em 2022, a meta estava em 3,5%, com a mesma margem de tolerância, e podia variar entre 2% e 5%.
No ano passado, o IPCA ficou em 5,79%. Segundo o IBGE, a alimentação foi o principal item responsável por fazer a inflação estourar o teto da meta pelo segundo ano seguido.
Poupança em alta
Mesmo acima do teto, o recuo da inflação em 2022 (que fechou em 10,06% em 2021) trouxe uma boa notícia para os investidores da aplicação financeira mais tradicional do país: pela primeira vez em quatro anos, a caderneta de poupança rendeu mais que a inflação.
De acordo com a Calculadora do Cidadão, disponível na página do BC na internet, uma aplicação na caderneta de poupança rendeu 7,9% em 12 meses.
O valor considera uma aplicação feita em 1º de janeiro do ano passado e que não foi mexida até 1º de janeiro de 2023.
A última vez em que a poupança superou a inflação até então foi em 2018, quando a caderneta havia rendido 0,85% acima do IPCA em 12 meses.
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