Sem dólar: comércio Brasil e China irá utilizar a moeda chinesa

    Novo modelo deve começar no próximo semestre

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    Brasil será o primeiro país da América Latina a ter acesso ao sistema chinês. (foto - Agência Brasil)

    Brasil será o primeiro país da América Latina a ter acesso ao sistema chinês. (foto - Agência Brasil)

    10deAbrilde2023ás11:32

    A plataforma de pagamentos China Interbank Payment System (Cips) foi confirmada, na semana passada, como primeira instituição credenciada para operar no Brasil o comércio entre os dois países em moeda chinesa, sem o uso do dólar.

    Na ocasião, o sino-brasileiro Bank of Communications BBM (Bocom BBM) disse projetar para julho o início da compensação de operações entre Brasil e China sem o uso do dólar.

    O Brasil será o primeiro país da América Latina a ter acesso ao sistema chinês, que opera de forma equivalente ao ocidental Swift, sistema que conecta milhares de instituições financeiras em todo o mundo.

    Os Estados Unidos devem reagir ao aumento de transações sem o dólar como moeda, conhecido como desdolarização. 

    Essa é a avaliação do professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Elias Jabbour, em entrevista à Agência Brasil.

    “Os efeitos geopolíticos disso são, na minha classificação, estratosféricos, porque é o início de uma mudança de ordem mundial que não ocorria há 500 anos”, diz ele.

    “É uma mudança do padrão monetário que é também de ordem política internacional e o que vem, na minha, opinião é mais conflitos”, completa.

    Principal parceira comercial de 140 países, incluindo o Brasil, a China também vai começar as transações com o Brasil na moeda local, o Yuan ou Renminbi.

    Guerra Rússia x Ucrânia

    Na avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a decisão da China em ampliar as transações na moeda própria, é fruto da Guerra na Ucrânia, que gerou sanções comerciais pelos Estados Unidos à Rússia.

    Para evitar a mesma situação e prejuízos econômicos, a China vem aumentando os acordos comerciais em moeda local.

    O novo formato de “fazer negócio com o Brasil” será formalizado pelo presidente brasileiro – e assinado - durante passagem do presidente Lula à China. O embarque do brasileiro e comitiva está agendado para amanhã.

    Lula na China

    Em entrevista coletiva dada na última quinta-feira (dia À), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende discutir com o presidente chinês, Xi Jinping, o investimento em novos ativos chineses, no Brasil.

    De acordo com o presidente Lula, uma fabricante chinesa de carros elétricos vai assumir o comando da última fábrica da montadora Ford, na Bahia.

    Outro ponto que Lula tem na pauta do encontro com Xi Jinping é a possibilidade de o país asiático promover um diálogo com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, pelo fim da Guerra na Ucrânia.

    Sobre o conflito na Ucrânia, Lula destacou o posicionamento contrário e disse que quer propor a Xi Jinping a criação de um grupo de países pela paz na região.

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