Sem dólar: comércio Brasil e China irá utilizar a moeda chinesa
Novo modelo deve começar no próximo semestre
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Brasil será o primeiro país da América Latina a ter acesso ao sistema chinês. (foto - Agência Brasil)
A plataforma de pagamentos China Interbank Payment System (Cips) foi confirmada, na semana passada, como primeira instituição credenciada para operar no Brasil o comércio entre os dois países em moeda chinesa, sem o uso do dólar.
Na ocasião, o sino-brasileiro Bank of Communications BBM (Bocom BBM) disse projetar para julho o início da compensação de operações entre Brasil e China sem o uso do dólar.
O Brasil será o primeiro país da América Latina a ter acesso ao sistema chinês, que opera de forma equivalente ao ocidental Swift, sistema que conecta milhares de instituições financeiras em todo o mundo.
Os Estados Unidos devem reagir ao aumento de transações sem o dólar como moeda, conhecido como desdolarização.
Essa é a avaliação do professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Elias Jabbour, em entrevista à Agência Brasil.
“Os efeitos geopolíticos disso são, na minha classificação, estratosféricos, porque é o início de uma mudança de ordem mundial que não ocorria há 500 anos”, diz ele.
“É uma mudança do padrão monetário que é também de ordem política internacional e o que vem, na minha, opinião é mais conflitos”, completa.
Principal parceira comercial de 140 países, incluindo o Brasil, a China também vai começar as transações com o Brasil na moeda local, o Yuan ou Renminbi.
Guerra Rússia x Ucrânia
Na avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a decisão da China em ampliar as transações na moeda própria, é fruto da Guerra na Ucrânia, que gerou sanções comerciais pelos Estados Unidos à Rússia.
Para evitar a mesma situação e prejuízos econômicos, a China vem aumentando os acordos comerciais em moeda local.
O novo formato de “fazer negócio com o Brasil” será formalizado pelo presidente brasileiro – e assinado - durante passagem do presidente Lula à China. O embarque do brasileiro e comitiva está agendado para amanhã.
Lula na China
Em entrevista coletiva dada na última quinta-feira (dia À), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende discutir com o presidente chinês, Xi Jinping, o investimento em novos ativos chineses, no Brasil.
De acordo com o presidente Lula, uma fabricante chinesa de carros elétricos vai assumir o comando da última fábrica da montadora Ford, na Bahia.
Outro ponto que Lula tem na pauta do encontro com Xi Jinping é a possibilidade de o país asiático promover um diálogo com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, pelo fim da Guerra na Ucrânia.
Sobre o conflito na Ucrânia, Lula destacou o posicionamento contrário e disse que quer propor a Xi Jinping a criação de um grupo de países pela paz na região.