Plano Safra 2023-2024 soma R$ 441,92 bilhões no total, maior valor da história
Volume de recursos aumentou 11 vezes em 20 anos, enquanto VBP da produção 118%

O histórico do Plano Safra no Brasil é caracterizado por aumentos progressivos nos recursos e uma tendência de redução nas taxas de juros ao longo dos anos.
O Governo Federal anunciou, entre ontem e hoje, o Plano Safra 2023-2024 com uma soma total de R$ 441,92 bilhões em recursos, o que representa um aumento de 29,6% em relação ao valor previsto no ano anterior (2022-2023).
Assim, em 20 anos, o crédito público para o setor cresceu 11 vezes, ou 1.104%, saltando de R$ 36,7 bilhões em 2003 para o valor atual. No mesmo período, o VBP da pecuária aumentou 118%, de R$ 579,2 bilhões para R$ 1,263 trilhão, segundo estimativas do Ministério da Agricultura.
O anúncio foi feito em duas partes. A primeira, realizada ontem, detalhou os recursos destinados aos grandes e médios produtores rurais, por linhas como o Pronamp, com um total de R$ 364,22 bilhões.
Já hoje, foi a vez das linhas para pequenos produtores e a agricultura familiar que somam R$ 77,7 bilhões. Foi a primeira vez que os anúncios foram feitos de forma separada, como consequência da divisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em dois (Agricultura e Pecuária e Desenvolvimento Agrário).
Assim, o volume total de recursos do Plano Safra 2023-2024 é o maior da história.
Evolução do Plano Safra
O Plano Safra é a principal política agrícola implementada pelo governo brasileiro que tem como objetivo fornecer crédito e incentivos para o setor agrícola.
Ele é lançado anualmente e define as diretrizes, recursos financeiros e taxas de juros para financiamento da produção agropecuária.
Como principal política de crédito e financiamento do agronegócio, a destinação de verbas e taxas de juros definidas pelo poder público evoluíram da seguinte forma nos últimos 20 anos:
| Ano do anúncio | Valor | Variação | Juros |
| 2003 | 36,7 | ----- | 8% a 12% |
| 2004 | 40,8 | 11.17% | 8% a 12% |
| 2005 | 48,3 | 18.38% | 6% a 10% |
| 2006 | 52,2 | 8.07% | 6% a 9% |
| 2007 | 55,9 | 7.08% | 5% a 8% |
| 2018 | 60 | 7.3% | 4,5% a 8% |
| 2009 | 92 | 53.3% | 4,5% a 8% |
| 2010 | 107,2 | 16.5% | 4% a 8% |
| 2011 | 115 | 7.2% | 4% a 8% |
| 2012 | 115 | 0.0% | 3,5% a 8% |
| 2013 | 136 | 18.2% | 3,5% a 8% |
| 2014 | 156,1 | 14.77% | 3,5% a 8% |
| 2015 | 187,7 | 20.2% | 2,5% a 8,75% |
| 2016 | 202,8 | 8.04% | 2,5% a 12,75% |
| 2017 | 225,6 | 11.2% | 2,5% a 12,75% |
| 2018 | 194,3 | - 13.9% | 2,5% a 12,75% |
| 2019 | 225,6 | 16.1% | 2,5% a 12,75% |
| 2020 | 236,3 | 4.7% | 2,5% a 6% |
| 2021 | 251,2 | 6.3% | 2,5% a 6% |
| 2022 | 340,88 | 35.7% | 6% a 8% |
| 2023 | 441,92 | 29.6% | 4% a 8% |
História do Plano Safra
Em termos gerais, o histórico da evolução do Plano Safra no Brasil é caracterizado por aumentos progressivos nos recursos disponibilizados e por uma tendência de redução nas taxas de juros ao longo dos anos.
Abaixo seguem alguns marcos importantes na evolução do crédito e financiamento para o agronegócio em termos de custeio, investimento e comercialização em tanto quanto a valores, como sobre juros:
- Década de 1990: Nesse período, as políticas de crédito ganharam maior relevância, com a disponibilização de recursos expressivos para financiamento da agricultura. No entanto, as linhas não eram apresentadas de forma conjunta e as taxas de juros eram elevadas, muitas vezes acima da inflação.
- Década de 2000: Houve um aumento significativo nos recursos destinados ao crédito rural, assim como a formalização do Plano Safra em 2003, acompanhado por uma redução gradual nas taxas de juros. Essa década foi marcada por uma maior preocupação com a inclusão social e a agricultura familiar, resultando em programas específicos para esses segmentos.
- Década de 2010: Os valores destinados ao Plano Safra continuaram a aumentar, refletindo o crescimento do setor agropecuário brasileiro. As taxas de juros foram reduzidas ainda mais, aproximando-se de taxas de mercado.
- Anos recentes: Nos últimos anos, o Plano Safra tem mantido um volume considerável de recursos financeiros para a agricultura, apesar das restrições fiscais enfrentadas pelo governo. As taxas de juros têm sido mantidas em patamares competitivos, buscando estimular o investimento e o desenvolvimento do setor.
