Brasil precisa de diplomacia comercial, não de disputa política, diz presidente da Faesp
Tirso Meirelles afirma que o Brasil deve priorizar a negociação técnica com os Estados Unidos após a nova tarifa de 25%

Tirso Meirelles afirma que o diálogo técnico é o melhor caminho para preservar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) defendeu nesta quarta-feira (16) que o governo brasileiro priorize a negociação técnica com os Estados Unidos após a confirmação da nova tarifa adicional de 25% sobre parte relevante das exportações brasileiras.
Para a entidade, uma resposta baseada em retaliação pode ampliar as tensões comerciais, aumentar a insegurança jurídica e prejudicar o setor produtivo.
O posicionamento foi divulgado após o governo norte-americano confirmar a medida no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, aberta em julho de 2025.
No comunicado, a Faesp reforça que o caminho para o Brasil deve ser o da negociação bilateral, técnica e permanente.
"O caminho para o Brasil é o da negociação bilateral, técnica e permanente e não o da escalada retaliatória", afirmou o presidente da entidade, Tirso Meirelles.
Faesp vê impacto direto sobre o produtor rural
No comunicado, a federação destaca que o agronegócio paulista e nacional continua cumprindo exigências sanitárias, ambientais e regulatórias internacionais, além de investir em rastreabilidade, sustentabilidade e competitividade para manter o Brasil como um parceiro comercial confiável.
A entidade afirma que, embora o produtor rural não participe das decisões tomadas pelo governo norte-americano, é ele quem sofre diretamente os impactos das medidas comerciais.
"Não é o produtor rural quem decide em Washington e, ainda assim, é ele quem paga a conta de decisões tomadas fora de seu alcance", diz o texto.
A Faesp também defende que o momento exige uma diplomacia comercial contínua, baseada em critérios técnicos e desvinculada de disputas político-partidárias.
"O momento exige a intensificação da diplomacia comercial contínua, técnica e despida de disputa político-partidária. Relações comerciais entre nações se constroem com previsibilidade, canais abertos e negociação permanente, não com medidas anunciadas de forma unilateral e respondidas com retórica de confronto."
Defesa do diálogo para preservar mercados
Segundo a entidade, o governo brasileiro deve buscar o diálogo direto com os Estados Unidos para solucionar divergências regulatórias, comerciais e tarifárias, preservando setores estratégicos da pauta exportadora.
A Faesp cita como exemplo a manutenção de café e carne fora da nova lista tarifária, o que considera um sinal de que ainda há espaço para negociação.
Na avaliação da federação, uma resposta baseada em retaliação tende a ampliar o conflito comercial e aumentar os custos para quem produz.
"A retaliação inconsequente, motivada por embate político, tende a produzir apenas nova escalada tarifária, maior insegurança jurídica e mais custo para quem produz."
O comunicado também destaca que o Representante Comercial dos Estados Unidos condicionou eventuais revisões das medidas à ausência de retaliação por parte do Brasil e sinalizou disposição para manter aberto o canal de diálogo com o governo brasileiro.
Brasil deve usar sua força comercial
Para a Faesp, o Brasil possui uma posição estratégica nas relações comerciais com os Estados Unidos por ser fornecedor relevante de diversas cadeias produtivas. Segundo a entidade, esse capital deve ser utilizado como instrumento de negociação de longo prazo.
"O Brasil tem capital de negociação: é fornecedor relevante e confiável para os Estados Unidos em diversas cadeias. Esse capital precisa ser usado com competência técnica e visão de longo prazo, sem ser desperdiçado em disputas de narrativa."
A federação informou ainda que analisará detalhadamente a lista de produtos atingidos e das exceções previstas assim que o governo norte-americano divulgar oficialmente o documento. A entidade também reiterou sua disposição de colaborar tecnicamente com o governo federal na defesa dos interesses do setor produtivo.
Ao encerrar o posicionamento, Tirso Meirelles reforçou que relações comerciais sólidas dependem da construção de confiança entre os países.
"Credibilidade e confiança, valores que sustentam qualquer relação comercial duradoura, se constroem com diplomacia e não com confronto."
