Lula assume Mercosul para avançar em acordo de livre comércio com a Europa
Presidente argentino, Alberto Fernández, ressaltou a foça do bloco sul-americano
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"Sem ele (o Mercosul), em um cenário internacional de países que constituem enorme blocos econômicos, seríamos mais fracos e pequenos", disse o presidente da Argentina, Alberto Fernández. (foto - Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, hoje (dia 4), a presidência temporária do Mercosul com a missão de avançar nas negocições e, possivelmente, concluir o Acordo de Livre Comércio entre o bloco e União Europeia.
Segundo ele, o mundo se encontra cada vez mais complexo e desafiador e nenhum país resolverá seus problemas sozinho ou poderá permanecer alheio ao que chamou de “grandes dilemas” da sociedade.
“Não temos alternativa que não seja a união. Frente à crise climática, é preciso atuar coordenadamente na proteção de nossos biomas e na transição ecológica justa. Diante das guerras que trazem destruição, sofrimento e empobrecimento, cumpre falar de paz. Em um mundo cada vez mais pautado pela competição geopolítica, nossa opção regional deve ser a cooperação e a solidariedade”, argumentou.
Em seu discurso, Lula citou o aumento do ódio, da intolerância e da mentira na política e classificou como urgente renovar o compromisso histórico do Mercosul com o Estado de direito.
“Como presidentes democraticamente eleitos, temos o desafio de enfrentar todos os que tentam se apropriar e perverter a democracia, estou convicto que a construção de um Mercosul mais democrático e participativo é o caminho que temos que trilhar.”
Alberto Fernández
Ao abrir a 62ª Cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Países Associados, em Puerto Iguazú, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, comentou a transferência da presidência pro-tempore para o Brasil pelos próximos seis meses.
“Não quero esconder o enorme carinho e a profunda admiração que sinto por ele [Lula]. Foi vítima de perseguição e injustiça. Mas o povo brasileiro soube reparar esse dano dando a liderança dessa nação-irmã. Querido amigo, desejo o melhor. Você merece”, disse o mandatário argentino.
De acordo com Fernández, a participação da Argentina no bloco fortalece o país. “Sem ele (o Mercosul), em um cenário internacional de países que constituem enorme blocos econômicos, seríamos mais fracos e pequenos. Vamos ser fortes, defendendo os nossos interesses”, completou.
Mercosul – União Europeia
Lula também disse que os países que integram o bloco buscam uma política de ganha-ganha com a União Europeia. Em seu programa semanal “Conversa com o presidente”, Lula, que está em Puerto Iguazú, na Argentina, voltou a classificar as exigências feitas por países europeus como inaceitáveis.
“Estamos aqui para discutir o futuro do Mercosul, o aprimoramento das relações entre Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. E nós queremos também preparar aqui a proposta de acordo para a União Europeia. Eles fizeram uma proposta, fizemos uma resposta. Mandaram uma carta para nós impondo algumas condições. Não aceitamos a carta. Estamos, agora, preparando uma outra resposta”, afirmou.
Acrescentou que “queremos fazer uma política de ganha-ganha. A gente não quer fazer uma política em que eles ganham e a gente perca. Por exemplo: eles querem que a gente abra mão de compras governamentais, ou seja, aquilo que o governo compra das empresas brasileiras”, disse.
Segundo Lula, abrir mão das empresas brasileiras para comprar de empresas estrangeiras simplesmente “vai matar pequenas e médias empresas brasileiras” e muito emprego no Brasil.