Agricultura familiar tem vez na "capital do agronegócio" brasileiro
Programa multiplica produtividade e transforma a vida de pequenos agricultores e pecuaristas em Cuiabá

Lucindo multiplicou sua produção de alface por 30 após assistência técnica. (foto - Fábio Manzini)
Aos 43 anos, o produtor Lucindo Evangelista viu sua vida mudar quando foi escolhido para participar do programa Agro da Gente, da Prefeitura de Cuiabá, em 2019, com foco em agricultura familiar.
Antes, ele plantava caixaria, abóbora, limão, batata doce, mas sua produção deu um salto com a hidroponia que adotou após consulta especializada dos técnicos da prefeitura.
Hoje, Sr. Lucindo produz cerca de 30 mil pés de alface por mês – antes vendia mil apenas - e comercializa no Ceasa de Cuiabá, o que garante o sustento de sua família e fez seu filho deixar a cidade para ajudá-lo na lavoura.
“Estou muito feliz, pois o projeto ajuda minha família e mudou minha vida. Consigo ter produção o ano inteiro com estrutura adequada e tecnologia apropriada”, diz Lucindo.
Segundo o engenheiro agrônomo Reginaldo Lemos, o Agro da Gente tem o intuito de fortalecer a agricultura familiar. “Foi a decisão dele que mudou sua vida. Ou seja, quando aceitou a tecnologia e a informação técnica, a lavoura dele despontou”, explicou.
Para ele, Cuiabá não é só a capital do agronegócio.“A realidade do município de Cuiabá não é só ser rei das comodities. Ao redor da cidade, nós temos muitas famílias que dependem da agricultura familiar em nichos produtivos e, ainda, tecnologias bem arcaicas. Daí a necessidade de atuar com políticas sérias, efetivas e com continuidade”, argumenta.
De acordo com Reginaldo, Cuiabá e adjacências hoje têm uma população de um milhão de pessoas. “Essas famílias precisam ser alimentadas. E uma boa percentagem destas famílias é alimentada com a produção da agricultura familiar”, sustenta.
Leite sustentável
Assim como Lucindo, Sergio Barbosa teve sua produção modificada. Após assitência técnica, o produtor de leite começou a produzir queijo e requeijão que são comercializados nas feiras da capital.
“Antes de entrar no projeto, eu produzia 30 litros ao dia, hoje produzo 160 litros. Me deram suporte para mudar a alimentação do meu gado e melhoria do curral. A comida é o combustível do gado. A assistência técnica foi fundamental, foi melhor do que dinheiro”, afirma o produtor, que trabalha ao lado da esposa.

“Temos 10 vacas de lactação e quero melhorar o rebanho. Agora temos ordenação sem ser manual e ainda temos captação de energia solar.”
Segundo o zootecnista Fernando Caxeiro, o intuito do programa não é fazê-lo produzir leite para laticínio.
“É agregar valor no produto que ele produz na propriedade. O projeto começou para alavancar a cadeia do leite que já estava praticamente para acabar nesta região. Montamos a infraestrutura para ele e deixamos a propriedade auto sustentável. Vamos fortalecer outras famílias”, conta.
Agro da Gente
Regimentado pela lei municipal nº 6.809/2022, o projeto visa atender mais de duas mil famílias, promovendo o crescimento da fabricação e autoestima dos pequenos produtores da cidade, atendendo a seis cadeias produtivas com tecnologia, apoio técnico, qualificação, insumos e recursos necessários, garantindo aos consumidores alimentos certificados e com selo de qualidade:
- aves,
- leite,
- frutas,
- legumes,
- verduras,
- avicultura de corte e postura,
- apicultura
- peixes.
O secretário de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento da capital, Francisco Vuolo, informa que a ação integra um dos eixos do ‘Pra Frente Cuiabá e se estende a mais três comunidades: Coxipó do Ouro, Aguaçú e Estrada da Guia, identificando os produtores leiteiros, capacitando, qualificando e certificando cada um deles.
“Vamos expandir o modelo de Unidade de Referência Técnica (URT do Leite), que ganhou estruturas, a partir de gado melhor, com toda assistência e parcerias necessárias. No caso do leite, estamos retornando a origem que Cuiabá sempre teve, fomentando a grande bacia leiteira, sendo um dos pontos importantes de fortalecimento da economia e do homem do campo. Estamos dotando a propriedade de investimentos, fazendo uma produção de custo menor, garantindo a competitividade e rentabilidade”, comentou.
A primeira fase de infraestrutura foi concluída pela na URT do Leite. A segunda consiste no fomento dos produtores para adesão ao programa, com suporte técnico e apoio logístico, por meio da capacitação e processamento e, por fim, a certificação e comercialização da produção aos supermercados da capital, visando a ascensão da economia local.
