MST faz acordo com governo e desocupa área da Embrapa
CPI que investiga atos do movimento volta aos trabalhos hoje e vai ouvir ex-ministro do GSI
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Invasão em Petrolina contou a presença de 1.550 famílias, que tomaram conta da estrutura onde será realizado o Semiárido Show. (Foto - MST)
Após invasão feita ontem (dia 31) pela manhã, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupou uma fazenda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Petrolina, Pernambuco. Os sem-terra já tinham ocupado a área em abril.
O local tinha sido invadido, segundo o MST, para cobrar avanço do governo federal no atendimento de pautas apresentadas há quatro meses, como assentamento de famílias acampadas na região. O movimento acusa o Governo Lula de descumprir acordos pela reforma agrária.
A área foi desocupada à tarde após, segundo o MST, ocorrer a “retomada do diálogo com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que se comprometeu a cumprir os acordos firmados ainda no último mês de abril”.
Entre os pontos acertados, segundo o movimento, estão a realização de vistorias e desapropriação de áreas na região, como de usinas falidas, para construção de assentamentos; evitar despejos de assentamentos instalados na Zona da Mata Sul; implantação de projetos para comercialização de alimentos produzidos em áreas de reforma agrária e recriação da superintendência do Incra em Petrolina.
A invasão em Petrolina contou a presença de 1.550 famílias, que tomaram conta da estrutura onde será realizado o Semiárido Show - feira marcada para acontecer de hoje até o dia 4 de agosto.
Mais uma
Só no último mês julho é a terceira invasão que o MST realiza. Na semana passada, no dia 25, o movimento invadiu uma propriedade na região de Caruaru, em Pernambuco. Segundo o próprio site da organização, cerca de 180 famílias ocuparam uma área de cerca de 500 hectares “improdutiva”.
A invasão no agreste pernambucano ocorreu apenas um dia depois de a organização invadir uma fazenda no interior de Goiás. No caso goiano, o MST, inclusive, teria “autorização” do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
CPI do MST
Com o fim do recesso parlamentar, o Congresso Nacional retoma as atividades hoje. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os atos de invasão de terras no país já tem trabalho hoje.
Um dos destaque da pauta é a oitiva do ex-ministro do GSI Gonçalves Dias marcada para as 14h na CPI. A convocação de Dias foi um pedido do relator da CPI, o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP).
O deputado defendeu que a comissão precisa conhecer a atuação da Abin, que é subordinada ao GSI, no monitoramento das ocupações de terra promovidas pelo MST neste ano. Salles questiona quais medidas foram adotadas pelo GSI para coibir as ações do movimento.
Dias ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para faltar à CPI alegando que não teria com o que colaborar com a investigação e que a convocação teria como objetivo apenas constrangê-lo.
O ministro do STF André Mendonça negou o pedido, dizendo que, na condição de testemunha, ele tem obrigação de comparecer, mas que pode ficar em silêncio caso julgue que as respostas possam incriminá-lo.