Dia do solo: Embrapa classifica apenas 53,7% do solo brasileiro como saudável

    A tecnologia Bioanálise de Solo (BioAS) reúne hoje o maior banco de dados com 28 mil amostras das cinco regiões brasileiras.

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    Com base que já foi coletado, é possível constatar que mais da metade dos solos é considerada saudável (53,7%)

    Com base que já foi coletado, é possível constatar que mais da metade dos solos é considerada saudável (53,7%)

    05deDezembrode2023ás15:04

    O Dia Mundial do Solo é celebrado anualmente em 5 de dezembro. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em 2013, com o intuito de alertar para a importância de existirem solos saudáveis que devem ser geridos de forma sustentável.

    A tecnologia Embrapa de Bioanálise de Solo (BioAS), que reúne hoje o maior banco de dados de atividade enzimática de solos do mundo, tem informações de 28 mil amostras das cinco regiões brasileiras.

    São todas mensuráveis, rastreáveis e verificáveis (MRV) e coletadas em 960 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A BioAS inovou ao agregar o componente biológico à análise de solo, antes limitada aos atributos químicos e físicos, e colocou o Brasil na vanguarda desse tipo de trabalho.

    A análise envolve medições de enzimas relacionadas aos ciclos de enxofre e carbono, que são capazes de indicar a saúde do solo.

    Segundo a Embrapa, a técnica combina propriedades químicas e biológicas do solo, avaliando a matéria orgânica presente nele, o que gera um resultado mais completo que as análises convencionais.

    Com base no universo amostral já coletado, é possível constatar que:

    • 53,7% dos solos é considerada saudável;
    • 14,7% estão em recuperação;
    • 23,5%, adoecendo;
    • 2,5%, doentes e
    • 5,6%, com resultados indefinidos.

    “O fato de que 68,4% das amostras já cadastradas no banco de dados representam ambientes de solos saudáveis ou em recuperação é altamente positivo, mas também mostra que há grande espaço para melhoria”, afirma a pesquisadora da Embrapa Ieda Mendes.

    Segundo ela, esse trabalho em rede tem permitido monitorar de forma inédita os solos do País.

    Ferramenta para o agricultor

    A Rede Embrapa BioAS, formada pela empresa pública de pesquisa e pelos laboratórios comerciais, permite que a tecnologia esteja de fato disponível para todos os agricultores do Brasil.

    Mendes explica que a BioAS é uma ferramenta que permite ao agricultor alcançar avanços significativos na saúde dos solos das lavouras, uma vez que facilita a identificação das melhores práticas de manejo e, também, daquelas que podem vir a degradar o solo e comprometer a produtividade futuramente.

    Hoje, o Brasil é o único país do mundo que possui parâmetros biológicos, calibrados em função do rendimento de grãos e da matéria orgânica, nas análises de solo.

    “Por ser um banco de dados totalmente rastreável, a partir desses resultados, várias estratégias eficazes podem ser aplicadas para garantir lavouras produtivas em solos saudáveis, abrindo enormes oportunidades para políticas públicas de conservação e saúde do solo em nível municipal, estadual e nacional”, explica a pesquisadora.

    Plantio da safra 2023/2024 evidencia a importância de solos saudáveis

    Um dos setores produtivos mais afetados pelas mudanças climáticas é a agropecuária. A ocorrência de eventos extremos, como as ondas recentes de calor e de frio, longos períodos de estiagem e a alteração no regime de chuvas, influencia diretamente no desempenho das lavouras.

    No entanto, propriedades que possuem solos saudáveis estão conseguindo enfrentar essas adversidades climáticas e manter altas produtividades.

    É o caso da Fazenda Santa Helena, em Guaíra (SP), que adota o sistema de plantio direto há mais de três décadas e utiliza as plantas de cobertura de forma sistemática na propriedade.

    “O planejamento de rotação da fazenda é o seguinte: metade da área fica na terceira safra em pousio com as plantas de cobertura. A outra metade fica na produção agrícola mesmo. A gente faz essa rotação em anos alternados”, conta a produtora rural Maira Lelis.

    Segundo a agricultora, o benefício que as plantas de cobertura trazem é muito significativo.

    “O banco de sementeiras da fazenda diminuiu, a ciclagem de nutrientes é alta, bem como a descompactação no solo. Em alguns talhões vamos zerar o uso de potássio porque o nosso potássio em solo está elevado”, relata.

    Produtividade

    Segundo ela, a produtividade também está aumentando safra a safra, de forma sustentável.

    “Conseguimos atingir os três dígitos tão almejados”, comemora.

    Na safra 2022/2023, a fazenda Santa Helena produziu 100 sacos de soja por hectare, sendo que em vários talhões não houve aplicação de fósforo e potássio.

    Todo esse esforço no uso de plantas de cobertura também impactou positivamente o plantio da safra 2023/2024. Ao utilizar o plantio no verde, no qual as plantas de cobertura são roladas com rolo faca e em seguida é efetuado o plantio da soja, ela tem conseguido enfrentar os problemas causados pela ausência de chuva e pelas altas temperaturas registradas nesse início de safra.

    “É um ano desafiador, mas temos conseguido fazer nossa parte que é proteger o solo, ter os bons organismos ativos para tentar minimizar os impactos da falta de chuva. Por isso precisamos muito difundir as boas práticas de manejo que mantêm o solo coberto”, enfatiza.

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