Cadeia leiteira brasileira continuará sob pressão em 2024, avalia Embrapa
Diversificação e especialização são apontadas como medidas para vencer a crise
|Medidas governamentais podem estimular o setor. (Foto - Rubens Neiva/Embrapa)
A cadeia leiteira brasileira continuará sob pressão em 2024, em decorrência da conjuntura internacional e da fraca demanda interna. A avaliação é do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa (CILeite).
Com duas guerras em andamento no mundo (Rússia x Ucrânia e Israel x Palestina), desempenho fraco das grandes economias globais e juros elevados, os pesquisadores e analistas do CILeite não esboçam muito otimismo para a cadeia láctea em 2024.
“Depois de um ano difícil, 2024 ainda não será o ano da recuperação e continuaremos observando a exclusão de produtores menos eficientes e de pequenos laticínios, como tem ocorrido nos últimos anos”, salienta o analista José Luiz Bellini, que acredita que este será um ano desafiador para produtores e laticínios.
Somado à complexa conjuntura global, o recuo das importações chinesas tem mantido os preços internacionais estáveis, mas abaixo da média histórica.
Embora demonstrasse uma ligeira alta de 1,6% em relação ao evento anterior, no leilão de 05/12 da Global Dairy Trade (GDT) a média de preços das negociações foi de US$ 3.323/tonelada (valor que já esteve acima de US$ 5.000/tonelada, em março de 2022).
“Esses são dados que corroboram para a produção de leite acanhada dos maiores exportadores de lácteos”, afirma o analista.
Ambiente interno
Segundo os analistas, o ambiente interno traz notícias positivas. O crescimento do PIB em 2023 desafiou as previsões iniciais de 0,5% e superou a marca dos 3%. A inflação está controlada e o desemprego, em queda.
“No entanto, esse bom desempenho da economia ainda não repercutiu na cadeia produtiva e o consumo de lácteos continua baixo”, argumenta o pesquisador Glauco Carvalho.
A edição de dezembro da Nota de Conjuntura Econômica do CILeite aponta que a fraca demanda interna também é um dos fatores que comprometem a rentabilidade dos produtores.
“Em vários estados, pequenos produtores estão recebendo menos de R$1,80 pelo litro de leite, o que é insuficiente para remunerar a produção”, avalia Carvalho.
Desde julho do ano passado, a relação de troca do produtor (Índice de Preços Recebidos IPR/Índice de Preços Pagos – IPP) é menor que a média dos últimos sete anos.