Quem produz o amendoim da sua festa junina?
Desde a década de 1940, estado do Sudeste é o maior produtor brasileiro

O amendoim é um dos alimentos preferidos nas tradicionais festas juninas que marcam o mês de junho no Brasil.
Nas festejos, ele assume um posto de destaque, presente em paçocas, pé-de-moleque, caramelizado, in natura e em algumas sobremesas.
O amendoim se destaca em São Paulo. Desde a década de 1940, o estado paulista é o maior produtor brasileiro de amendoim.
Em 2023, a produção paulista totalizou 736,3 mil toneladas, representando 85% do total nacional. SP também é o responsável por quase 100% da exportação dos derivados do grão, que somaram US$ 642 milhões, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta).
A previsão para este ano é produzir algo em torno de 713,5 mil toneladas. Segundo balanço do Instituto de Economia Agrícola (IEA – Apta), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
As principais regiões produtoras são, respectivamente, os municípios de Tupã (13,6%), Marília (12,7%) e Jaboticabal (12,2%).
O produto é exportado, principalmente, na forma de óleo e de grãos descascados. Tendo como principais destinos concentrados em três países que responderam por 61% das exportações: Rússia (28,31%), Argélia (23,59%) e Holanda com (9,56%) para o grão e China e Itália para o Óleo.

Mato Grosso do Sul
O segundo maior produtor é o Mato Grosso do Sul, com 81,6 mil toneladas ou 11% do total.
O amendoim, no estado, registrou em 2024 aumento de mais de 73% em área, saltando de 7.013 hectares para 12.157 ha, além da produção, que avançou 115,6% e saiu de 20.421 toneladas em 2023 para 44.041 toneladas neste ano agrícola.
Os dados são da última Carta de Conjuntura da Agropecuária de março, elaborada pela Coordenação de Estatísticas da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
O levantamento mostra que houve acréscimo nas estimativas da produção do amendoim 1ª safra, mandioca, algodão herbáceo, feijão 2ª safra e arroz.
Paraná terá área recorde
O amendoim ocupa 2,6 mil hectares no Paraná na safra atual, sendo a maior área plantada nos últimos 12 anos no Estado.
As informações foram confirmadas hoje (dia 12) no Boletim do Departamento de Economia Rural (Deral) referentes à semana de 7 a 13 de junho.

Nessa área, os produtores paranaenses devem colher 8 mil toneladas de amendoim, representando em torno de 1% da produção nacional. De acordo com o levantamento, a principal região produtora do amendoim é Paranavaí.
O núcleo regional tem participação superior a 77% em área e 81% em produção no Estado.
História
Segundo o analista Edmar Gervásio até a década de 1970, o amendoim produzido no Brasil tinha como principal finalidade a produção de óleo refinado de cozinha.
Com a chegada da soja, um produto muito mais barato, começou a substituição do amendoim pela soja para extração do óleo, que hoje é a referência.
Com isso, o amendoim começou a se tornar um produto de nicho, mais voltado para a confeitaria e consumo humano em suas mais diversas formas.

A partir de 2014 começou a se observar movimento de aumento de área plantada no Brasil, em média de 11% ao ano.
Na safra atual, devem ser plantados no País 248,2 mil hectares, sendo a segunda maior área desde do início da série histórica levantada pela Conab, que começou em 1976.
A produção nacional de amendoim deve totalizar 758 mil toneladas na safra 2023/24.
De onde vem a festa junina?
Comemoradas em todo o Brasil no mês de junho, a origem das festas juninas remonta às celebrações de antigos povos da Europa ao início do verão, em rituais que festejavam a fartura das colheitas.
Com o passar do tempo, as festividades, que eram consideradas pagãs pela Igreja, foram incorporadas ao calendário, celebrando os santos católicos: Santo Antônio (13/06), São João (24/06) e São Pedro (29/06).
Mas no Brasil, trazidas pelos portugueses, as festas juninas foram reinventadas, transcendendo o campo e a religiosidade. A festa popular passou a exaltar a cultura caipira brasileira, valorizando as tradições e, principalmente, os sabores do campo.
As comemorações em torno dos santos juninos, que engloba comidas regionais, danças, brincadeiras e roupas típicas, aquecem a economia. Pra se ter uma ideia do quanto as festas juninas cresceram, no ano passado, os arraiais movimentaram cerca de R$ 6 bilhões pelo país, segundo dados do Ministério do Turismo.
