Rabobank aponta para “colapso global” na oferta de suco de laranja

    Principal produtor e exportador, Brasil amarga pior safra em 35 anos

    Rabobank aponta para “colapso global” na oferta de suco de laranja
    14deAgostode2024ás15:19

    O mercado global de suco de laranja enfrenta um cenário crítico para os biênios 2023/2024 e 2024/2025, impulsionado por uma significativa queda na produção e consequente alta nos preços.

    De acordo com as estimativas mais recentes compiladas pelo Rabobank, a produção de suco de laranja no Brasil, principal produtor mundial, deverá alcançar o menor nível em 35 anos, totalizando 232,4 milhões de caixas (40,8 kg) na safra 2024/25.

    Essa queda representa uma redução de cerca de 24% em relação à safra anterior, que somou 307 milhões de caixas (cerca de 12,2 milhões de toneladas). Por outro lado, produtores como México e Estados Unidos terão apenas uma elevação tímida.

    O Brasil é responsável por 35% da produção mundial de laranja e por 75% do comércio internacional do suco da fruta. Na última safra, a exportação do suco ultrapassou 2,8 milhões de toneladas.

    A produção da Flórida é estimada pelo USDA em 105 mil toneladas para 2023/24, ante 85 mil toneladas em 2022/23. A previsão é que o México tenha produzido 170 mil toneladas em 2023/24, ante 140 mil toneladas em 2022/23.

    As estimativas para a UE permanecem inalteradas em 47 mil toneladas nesta temporada.

    A diminuição da produção no Brasil é atribuída a uma combinação de fatores climáticos adversos e à crescente incidência de greening, uma doença que afeta os pomares de laranja.

    O clima seco e quente predominante nas regiões produtoras do estado de São Paulo tem impactado negativamente o rendimento das frutas, o que poderá agravar ainda mais a situação durante a safra 2024/25.

    A produção global de suco de laranja industrializado (equivalente a FCOJ - Frozen Concentrated Orange Juice) também segue em declínio, com uma estimativa de queda de 18% para a safra 2024/25, totalizando cerca de 1,1 milhão de toneladas.

    Preços sobem apesar de queda na demanda

    Paralelamente, a demanda global por suco de laranja industrializado está em declínio, com uma previsão de queda de aproximadamente 15% em volume durante 2024, em comparação com 2023.

    De acordo com o Rabobank, essa redução na demanda é mais acentuada para o suco concentrado, enquanto o suco NFC (não concentrado) apresenta maior estabilidade. Apesar disso, espera-se que os preços continuem elevados, refletindo a escassez de oferta no mercado internacional.

    Os futuros de suco de laranja em Nova Iorque, que já operavam acima de US$ 4/lp, se mantêm próximos das máximas históricas. Na Europa, os preços também atingem patamares recordes, superando US$ 6.300 por tonelada, com alguns contratos sendo fechados a US$ 7.000 por tonelada.

    Para compradores de mercados periféricos, os preços ultrapassam esses valores, refletindo a aguda falta de disponibilidade de suco e os estoques globais nos menores níveis históricos.

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