Lula volta a provocar o agro: “eu não faço isso para agradar fazendeiro”

    Presidente está no Paraná para retomada de fábrica de fertilizantes

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    Lula volta a provocar o agro: “eu não faço isso para agradar fazendeiro”
    15deAgostode2024ás15:15

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mais uma vez falou sobre sua relação com o setor agropecuário do Brasil. Em entrevista à Rádio T, do Paraná nesta quarta-feira, o chefe do Executivo reconheceu sua pouca proximidade com o agro.

    Segundo Lula, ele sabe que não tem simpatia do setor, mas afirmou que não pensa nisso porque “não faz política esperando agradecimento”.

    “Quando você governa, você não faz política esperando agradecimento. Você pode desafiar qualquer fazendeiro para saber se em algum momento da história deste país um governo colocou tanto dinheiro na agricultura quanto nós. Eu não faço isso para agradar fazendeiro, eu faço porque o Brasil precisa”

    Lula disse ainda que investe não para agradar o setor.

    “As pessoas do agro que não gostam de mim, não gostam do PT, não gostam de muitas coisas, dos sem-terra, da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Eu faço porque o Brasil precisa disso, porque a agricultura é importante para o Brasil. Não fico pensando se o cara gosta de mim, eu faço porque tenho que fazer”, afirmou.

    Plano Safra

    Lula apontou ainda os investimentos recordes feitos em 2023 e 2024 no Plano Safra, tanto na fatia para grandes empresários do agro quanto para a agricultura familiar.

    Anunciado no mês passado, o Plano Safra 2024/2025 tem o volume recorde de recursos de R$ 486,29 bilhões.

    O montante é a soma dos R$ 400,59 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 85,7 bilhões para pequenos e agricultura familiar.

    Investimento

    A agenda do presidente no Paraná, onde deu a entrevista, inclui cerimônia de início da retomada das operações da Fábrica de Fertilizantes Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), em Araucária (PR), na Região Metropolitana de Curitiba.

    “Não tem explicação ter fechado uma fábrica de fertilizante num país que tem um potencial agrícola gigantesco. Num estado como o Paraná, que tem produção agrícola forte. A gente não pode importar 90% dos insumos para uma agricultura que tem o potencial que temos hoje. Estamos recuperando isso. Vamos fazer investimentos pesados para gerar até 2 mil empregos”, disse o presidente, que citou ainda os aportes em infraestrutura previstos no Paraná pelo Novo PAC, que chegam a R$ 69,5 bilhões.

    A fábrica estava hibernada desde 2020 e será reaberta — depois que o investimento na produção de fertilizantes voltou a fazer parte do portfólio da Petrobras.

    O investimento previsto para a reabertura da unidade é de R$ 870 milhões. Serão imediatamente iniciados todos os procedimentos necessários à retomada, incluindo a publicação dos editais para contratação de serviços de manutenção e de materiais críticos.

    Na primeira fase desta reentrada no setor, a estratégia tem sido reconfigurar e consolidar operações viáveis em ativos que já pertencem à companhia. A previsão é que a operação seja iniciada no segundo semestre de 2025.

    Durante a intervenção para retorno operacional serão gerados mais de 2 mil empregos, entre empregados da Ansa e das empresas contratadas.

    Após retorno operacional, devem ser mantidos cerca de 700 empregos diretos. No início de julho, 215 antigos funcionários da Ansa reiniciaram suas atividades de trabalho no Paraná. São essencialmente técnicos especializados no funcionamento da planta industrial e foram recontratados pela subsidiária.

    Atualmente, a fábrica está em processo de contratação de serviços e aquisição de materiais, com previsão de conteúdo local superior a 85%. Após finalizada essa etapa, será realizada a mobilização dos contratos de serviços e manutenção dos equipamentos para o início das atividades.

    Reforma Tributária

    Em outra vertente das ações para melhorar a economia do dia a dia, o presidente citou a tramitação da Reforma Tributária no Congresso, que prevê a isenção de impostos para os alimentos da cesta básica, outra medida para baratear custos à  população.

    “Nessa política, a gente está colocando claro que todos os insumos, de todos os alimentos consumidos pelas pessoas mais  pobres na cesta básica, não vão pagar mais imposto, é tudo zerado. Inclusive a carne”, lembrou.

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