Novo protocolo promete elevar produção de milho de SC em 1 milhão de toneladas

Data de semeadura, plantas estabelecidas, correção da acidez são alguns dos fatores que alteram o resultado

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Novo protocolo promete elevar produção de milho de SC em 1 milhão de toneladas
22deAgostode2024ás17:00

Um estudo desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) com a adoção de um novo protocolo concluiu que, com melhorias de manejo nos 246 mil hectares cultivados com milho para a produção de grãos em Santa Catarina, o Estado pode colher 1,04 milhão de toneladas a mais por ano.

A produtividade média de milho registrada nos últimos anos em Santa Catarina é de apenas 6,9 toneladas por hectare.

A pesquisa, feita em parceria a equipe FieldCrops da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mostrou que cada hectare plantado com milho em Santa Catarina pode render, em média, 4,2 toneladas a mais do grão se o agricultor adotar melhorias no manejo

 “O estudo aponta como podemos explorar essa lacuna de produtividade para aumentar, de forma sustentável, a produção catarinense de milho”, explica Leandro Ribeiro, pesquisador do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf) e coordenador do estudo.

Crescimento sustentável

O projeto, chamado Potencial e Lacunas de Produtividade do Milho em Santa Catarina (GYGAS Milho SC), investigou durante três anos os fatores que impedem que as colheitas do grão sejam maiores.

A pesquisa integra o Global Yield Gap Atlas (GYGA), um protocolo global com mais de 70 países participantes. 

A pesquisa foi conduzida durante as safras 2020/2021 e 2021/2022 e acompanhou 293 lavouras de milho em 42 municípios de Santa Catarina. Eles levantaram dados sobre práticas de manejo, características do solo e produtividade das lavouras.

De acordo com o estudo, a faixa de semeadura de milho que proporciona produtividades superiores a 12t/ha no Estado é de 1º de setembro a 1º de outubro.

“Verificamos que semeaduras antes de 31 de agosto estão sujeitas a perdas de produtividade de 200kg por hectare por dia de antecipação, o que se relaciona, principalmente, à possibilidade de ocorrência de geadas e desenvolvimento de patógenos de solos que impedem a adequada população da cultura”, diz Leandro Ribeiro.

Em semeaduras após 2 de outubro, a perda de produtividade foi de 120kg por hectare a cada dia de atraso.

O pesquisador explica que esse é um dos fatores com maior influência no potencial de produtividade das lavouras. E a vantagem é que ele não aumenta os custos de produção.

 “Alterar a época de semeadura e o ciclo de desenvolvimento utilizado são as formas que temos de ajustar a ocorrência das fases de desenvolvimento críticas e as condições ambientais adequadas”, esclarece.