Clima adverso faz Conab reduzir previsão para safra de café 2023/2024
Com 96% da área do grão já colhida no final de agosto, estimativa foi ajustada
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Com 96% da área de café já colhida o final de agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou uma redução de 6,8% em sua previsão para a safra de café 2023/24, que agora é estimada em 54,79 milhões de sacas. Esse número representa uma leve queda de 0,5% em relação à safra anterior.
O terceiro levantamento da Conab, divulgado nesta quinta-feira (dia 19), destacou que o clima adverso influenciou negativamente as expectativas de produção. Apesar de um início promissor para a safra, condições climáticas como estiagens, chuvas irregulares e altas temperaturas impactaram a produtividade das lavouras.
A produtividade média nacional de café é agora estimada em 28,8 sacas por hectare, o que representa uma queda de 1,9% em relação à safra de 2023.
Para o café arábica, a previsão é de uma produção de 39,59 milhões de sacas, refletindo um aumento de 1,7% em relação à temporada anterior.
Minas Gerais e São Paulo
No entanto, o estado de Minas Gerais, que responde por grande parte da produção, deverá colher 27,69 milhões de sacas, uma redução de 3,4% devido às condições climáticas desfavoráveis.
Em São Paulo, a expectativa é de um crescimento de 8,2% na produção, com a colheita podendo alcançar 5,44 milhões de sacas. Regiões como Espírito Santo, Rio de Janeiro e o cerrado baiano também apresentam resultados semelhantes, mas com incrementos menores do que o inicialmente previsto.

Para o café conilon, a Conab projeta uma queda de 6% na produção, totalizando 15,2 milhões de sacas.
O Espírito Santo, principal produtor desse tipo, deve colher aproximadamente 9,97 milhões de sacas, uma redução de 1,9%. Em Rondônia e na Bahia, as quedas são ainda mais acentuadas, com diminuições de 16,4% e 13,3%, respectivamente.
Área
No que diz respeito à área destinada à cafeicultura em 2024, estima-se um total de 2,25 milhões de hectares, com 1,9 milhão em produção, o que representa um aumento de 1,4% em relação ao ano anterior. Contudo, a área em formação registrou uma queda de 4,5%.
Mercado e Exportações
O cenário no mercado de café continua atrativo para os produtores, com preços valorizados devido à oferta ajustada.
As safras limitadas em 2021 e 2022, tanto no Brasil quanto no Vietnã, resultaram em estoques reduzidos, pressionando os preços globais do café, especialmente do robusta, que também impacta a valorização do arábica.
As exportações brasileiras de café, acumuladas entre janeiro e agosto de 2024, somam 32,1 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento significativo de 40,1% em comparação ao mesmo período de 2023. Este volume representa o maior já registrado pelo Brasil nos primeiros oito meses de um ano.
Caso a tendência de altas exportações se mantenha, o país pode superar o recorde de 2020, quando foram exportadas 43,9 milhões de sacas.