Grupo Moreira Salles investirá R$ 1,2 bilhão em MS para produzir 8 milhões de caixas de laranja
Estado aponta como se consolida como o “novo cinturão citrícola"

Mato Grosso do Sul se consolida como o “novo cinturão citrícola” do Brasil. Após investimentos de grandes empresas como a Cutrale e o grupo Junqueira Rodas, agora é a vez da Cambuhy Agropecuária, do Grupo Moreira Salles, investir na citricultura no estado.
Em reunião com o governador Eduardo Riedel (PSDB), a empresa anunciou a aplicação de R$ 1,2 bilhão, com início do plantio de laranja ainda este ano, na região de Ribas do Rio Pardo, próximo ao município de Água Clara.
A previsão é que, ao longo de quatro anos, a produção atinja 8 milhões de caixas da fruta.
Este "boom" do setor no estado é impulsionado por fatores como o clima favorável, ambiente produtivo propício e uma legislação rigorosa, com "tolerância zero" ao greening, uma doença que tem devastado plantações de citros mundialmente.
A Cambuhy Agropecuária projeta a geração de aproximadamente 1.200 empregos diretos e 2.400 indiretos. Segundo o diretor-geral Alexandre Tachibana, a escolha de Mato Grosso do Sul se deve, em grande parte, ao avanço do greening em São Paulo, que ameaça 70% da área citrícola do estado.
"Buscamos uma nova fronteira para a citricultura, e essa região, entre Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, se mostrou ideal", explicou Tachibana.
Apoio governamental
O Governo de Mato Grosso do Sul tem desempenhado papel crucial para atrair grandes investidores, oferecendo suporte em infraestrutura, logística, escoamento da produção e questões energéticas.
Além disso, a legislação do estado, com controle rigoroso contra o greening, é um atrativo importante para os investidores que buscam segurança sanitária para suas lavouras.
A Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) emitiu alertas aos produtores sobre o risco de aquisição de mudas irregulares, que podem comprometer pomares do estado, especialmente nas áreas urbanas e domésticas.
Negociações
As negociações começaram em maio, durante o MS Day Internacional, realizado em Nova Iorque, quando o Governo do Estado apresentou o cenário favorável para atrair novos negócios.
"A Cambuhy nos procurou no evento para discutir a implantação do projeto. O estado oferece um ambiente de negócios seguro, com cronograma de licenciamento ambiental, incentivos, e medidas rigorosas contra o greening", detalhou o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck.
Gigante do setor, o Grupo Cutrale está se consolidando como parte integrante do novo momento de Mato Grosso do Sul. A empresa anunciou em março um investimento de R$ 500 milhões no plantio de 5 mil hectares de laranja no Estado.
A produção será realizada na Fazenda Aracoara, localizada às margens da rodovia BR-060, na divisa entre Sidrolândia e Campo Grande.
Líder nas exportações brasileiras de laranja, o Grupo Cutrale irá irrigar toda a área e contará com o plantio de aproximadamente 1,73 milhão de pés de laranja. O projeto tem previsão de expandir para um raio de 150 km da propriedade, com a meta de atingir 30 mil hectares plantados no futuro.
Além deste investimento, outras empresas também estão expandindo suas operações no Estado. O Grupo Junqueira Rodas iniciou, em abril, seu projeto de citricultura em Paranaíba, com a intenção de cultivar em 1.500 hectares. A empresa já anunciou que, no segundo semestre, começará a produção em Naviraí, com a adição de mais 2,5 mil hectares.
Acordo de cooperação contra o greening
Para fortalecer as ações contra o greening, o Governo de Mato Grosso do Sul firmou um termo de cooperação com a Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura).
O objetivo é desenvolver pesquisas e tecnologias, além de capacitar técnicos do estado e promover intercâmbio de informações. O acordo foi assinado pelo governador Eduardo Riedel em abril deste ano.
