Desmatamento diminui na Amazônia e Cerrado; governo formaliza pacto com estados do Matopiba

    Redução nas emissões de gases de efeito estufa foi de 400,8 milhões de toneladas de CO2

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    Desmatamento diminui na Amazônia e Cerrado; governo formaliza pacto com estados do Matopiba
    07deNovembrode2024ás10:40

    A taxa oficial de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2023 e julho de 2024 foi de 6.288 km², conforme estimativa do sistema Prodes, do INPE. 

    Esse resultado representa uma redução de 30,63% em comparação com o período anterior (agosto de 2022 a julho de 2023), marcando a maior queda percentual nos últimos 15 anos.

    No Cerrado, o desmatamento foi de 8.174 km² no mesmo período, a menor taxa desde 2019. A redução foi de 25,8%, a primeira diminuição em quatro anos no bioma.

    De agosto de 2022 a julho de 2023, o desmatamento na Amazônia atingiu 9.064 km², incluindo cinco meses do governo anterior e sete da atual gestão. Esta é a primeira vez desde 2005 que se observa quedas consecutivas superiores a 25%.

    Nos 70 municípios prioritários para o Ministério do Meio Ambiente (MMA), 78% registraram redução no desmatamento. As maiores quedas ocorreram em Rondônia (62,5%), Mato Grosso (45,1%), Amazonas (29%) e Pará (28,4%). 

    Porém, Roraima apresentou aumento de 53,5%.

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    Cerrado: resultados no Matopiba

    No Cerrado, os estados do Matopiba – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – registraram redução no desmatamento. Entre agosto de 2023 e julho de 2024, a área desmatada foi 76,4% menor que nos anos anteriores. 

    A Bahia teve a maior queda, com 63,3%, seguida pelo Maranhão (-15,1%), Piauí (-10,1%) e Tocantins (-9,6%).

    A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comentou que a redução no desmatamento é resultado de uma "política de Estado" focada em combater as mudanças climáticas. Ela destacou que "o problema da mudança do clima já é uma realidade avassaladora", e considerou a redução uma "esperança" para o futuro.

    Embora as estatísticas indiquem um avanço, entidades da sociedade civil alertam que os números ainda são elevados. 

    Daniel Silva, especialista em conservação do WWF-Brasil, enfatizou que "o desmatamento no Cerrado ocorre em grande parte em propriedades privadas", sublinhando a necessidade de maior engajamento do setor produtivo. 

    Ele ressaltou que a pressão econômica pela expansão de commodities e uma legislação ambiental frágil tornam a situação ainda mais crítica.

    Efeito estufa

    Com a redução do desmatamento, houve uma diminuição de 400,8 milhões de toneladas de CO2 emitidas em comparação com o ciclo 2021/2022. 

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    Pacto com Matopiba

    Na mesma ocasião, o governo federal assinou um pacto com os estados do Matopiba para o controle do desmatamento e incêndios no Cerrado. 

    O acordo visa aumentar a fiscalização e aplicar sanções ao desmatamento ilegal, além de melhorar as regras para a transparência, o compartilhamento de informações e a formulação de estratégias para a conservação da água e dos ativos florestais.

    O objetivo do governo é atingir o desmatamento zero até 2030, em todos os biomas do país. O sistema Prodes, que utiliza imagens de satélite mais precisas, é uma das ferramentas fundamentais para monitorar a redução da devastação.

    O pacto com os estados do Matopiba visa intensificar as ações coletivas contra o desmatamento, com foco na fiscalização e no compartilhamento de informações. Entre as iniciativas em andamento, destacam-se a adesão de 48 municípios ao Programa União com Municípios, com investimentos de R$ 770 milhões, e a criação de uma Estratégia Nacional de Bioeconomia.

    A intensificação da fiscalização, com aumento de 98% nas infrações aplicadas pelo Ibama na Amazônia, também contribuiu para os resultados positivos. Além disso, foram implementadas ações de desintrusão de terras indígenas e combate ao garimpo ilegal.

    Ponto central

    A retomada da governança ambiental tem sido um ponto central no combate ao desmatamento. Entre as ações, estão a criação de novos programas e a implementação de ferramentas financeiras, como o Fundo Amazônia, com promessas de doações que somam R$ 3,1 bilhões. 

    O governo também anunciou medidas para promover a agricultura de baixo carbono e o uso de tecnologias sustentáveis no setor agropecuário.

    No total, foram homologados 810 mil hectares de terras indígenas e criados 304,4 mil hectares em unidades de conservação, avanços significativos para a preservação ambiental do país.

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