Economia aquecida eleva previsão de crescimento, mas também de inflação em 2024
Fazenda aumenta para 3,3% estimativa para o PIB este ano
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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou a previsão de crescimento da economia brasileira para 2024, elevando a estimativa de 3,2% para 3,3%. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (18) no Boletim Macrofiscal.
Porém, os economistas do mercado financeiro aumentaram pela sexta vez consecutiva a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - considerado a inflação oficial do país- em 2024, passando de 4,62% para 4,64%.
PIB
A expectativa de crescimento do PIB para o terceiro trimestre deste ano foi ajustada, subindo de 0,6% para 0,7%. No entanto, a Secretaria de Política Econômica aponta que isso ainda representa uma desaceleração moderada, após a forte expansão observada no segundo trimestre.
“A mudança na projeção reflete pequenas revisões nas estimativas de crescimento para o setor agropecuário e de serviços. Na margem, a perspectiva é de desaceleração no ritmo de crescimento, principalmente em função da forte expansão observada no segundo trimestre”, explicou a SPE.
O bom desempenho do PIB no segundo trimestre, que surpreendeu com alta de 1,4% conforme dados do IBGE, levou a uma revisão maior para a expansão da economia no boletim de setembro, com um impacto positivo de 2,5% na projeção atual.
Para 2025, a previsão de crescimento foi reduzida para 2,5%, refletindo as expectativas de um novo ciclo de aumentos na taxa Selic. A SPE também destacou que as melhorias nas perspectivas para a safra de grãos e a produção extrativa devem ajudar a mitigar os efeitos negativos da política monetária mais restritiva.
Expectativas para setores produtivos
A projeção para os próximos trimestres é de crescimento em ritmo mais moderado, especialmente nos setores produtivos.
A agropecuária, que ainda enfrenta um cenário negativo, teve a expectativa de retração ajustada de -1,9% para -1,7%. A melhoria reflete revisões positivas nas previsões para a colheita de algodão e produtos pecuários, que compensaram a redução nas estimativas para laranja, trigo, café e cana-de-açúcar.
Para a indústria, a projeção de crescimento se manteve em 3,5%, impulsionada pelo bom desempenho nas indústrias de transformação e construção. Em contrapartida, há expectativa de desaceleração na indústria extrativa e na produção e distribuição de eletricidade e gás.
Os serviços também devem seguir em crescimento, com a projeção subindo de 3,3% para 3,4%, após a divulgação do PIB do segundo trimestre, que ajudou a elevar o carregamento estatístico do setor.
Mercado financeiro eleva previsão da inflação
O mercado financeiro revisou sua previsão para a inflação de 2024, agora estimando um IPCA de 4,64%, acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.
Essa revisão também afetou as estimativas para 2025, que passou de 4,1% para 4,12%. Para 2026 e 2027, as projeções são de 3,7% e 3,5%, respectivamente.
Em outubro, a inflação foi de 0,56%, impulsionada pelos gastos com habitação e alimentos. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,76%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 11,25% ao ano, seguindo sua estratégia de controle da inflação. Recentemente, o BC elevou os juros devido à alta do dólar e incertezas globais.
A previsão para o câmbio é de R$ 5,60 para o fim deste ano, com uma leve valorização do real em 2025, estimando o dólar a R$ 5,50.
A projeção para o PIB deste ano está em 3,1%. O crescimento do PIB no segundo trimestre foi de 1,4% em relação ao primeiro, superando as expectativas. A previsão para 2025 é de um crescimento de 1,94%, enquanto para 2026 e 2027 a expectativa é de expansão de 2% para ambos os anos.
Em 2023, a economia brasileira cresceu 2,9%, totalizando R$ 10,9 trilhões, conforme o IBGE.