Carrefour passa recibo e publica pedido de desculpas após crise da carne com Mercosul

    Empresa enfrenta uma série de boicotes de frigoríficos brasileiros após comentário do CEO Alexandre Bompard

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    Carrefour passa recibo e publica pedido de desculpas após crise da carne com Mercosul
    26deNovembrode2024ás08:46

    A pressão da indústria brasileira sobre o Carrefour gerou um pedido de desculpas oficial da rede varejista. Na manhã desta terça-feira (26), a rede publicou a retratação pública, reconhecendo os impactos causados pela polêmica.

    No texto, o Carrefour lamentou que sua comunicação tenha sido interpretada como um questionamento à parceria com a agricultura brasileira.

    "Lamentamos que nossa comunicação tenha sido interpretada como uma forma de pôr em causa nossa parceria com a agricultura brasileira e como uma crítica a ela", afirmou a empresa.

    A polêmica surgiu após o CEO global da empresa, Alexandre Bompard, anunciar, na França, que a rede deixaria de comprar carne de países do Mercosul, alegando que os produtos não atendiam às exigências francesas.

    A carta é assinada pela assessoria de imprensa do grupo. O agro esperava o pedido de desculpas do próprio executivo.

    Em todo caso, a rede varejista francesa reafirmou que continuará priorizando as carnes produzidas nacionalmente para a operação no Brasil.

    "Melhor do que ninguém, conhecemos os padrões que a carne brasileira atende, sua ótima qualidade e sabor. Continuaremos a promover os setores agrícolas brasileiros, como fazemos no Brasil há quase 50 anos", destacou o comunicado.

    Quanto à sua operação na França, o Carrefour afirmou que continuará comprando a maior parte da carne dos produtores franceses, destacando que essa já é a prática do grupo, que se considera o "principal parceiro da agricultura francesa".

    "Compramos quase exclusivamente a nossa carne francesa na França e continuaremos a fazê-lo. A decisão do Carrefour França não pretende alterar as regras de um mercado francês já amplamente estruturado em torno das suas cadeias de abastecimento locais", declarou a empresa.

    O Carrefour também ressaltou sua responsabilidade em apaziguar as divergências geradas pela decisão sobre a carne do Mercosul. 

    A empresa afirmou, também, que nunca opôs a agricultura francesa à agricultura brasileira. "Os nossos dois países do coração têm em comum o amor à terra, à sua cultura e à boa comida".

    A declaração inicial de Bompard havia gerado um movimento de boicote por parte de frigoríficos brasileiros, que suspenderam o fornecimento de carne à rede no país.

    A situação foi mediada pela embaixada da França no Brasil, conforme confirmado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à TV Globo. Fávaro afirmou que a embaixada atuou como intermediária para resolver o impasse.

    Impacto nas lojas

    No total, 23 frigoríficos, incluindo grandes nomes como JBS, Minerva, Marfrig e Masterboi, suspenderam o fornecimento de carne para as lojas do Carrefour no Brasil.

    O movimento já afeta mais de 150 unidades da rede, com consumidores relatando a falta de produtos nas prateleiras.

    Além disso, a ausência de carne é notada nas gôndolas dos supermercados Carrefour, Atacadão e Sam’s Club no país, que são ligados ao grupo.

    Em novembro, outros grupos franceses, como "Les Mousquetaires", Danone e Tereos, manifestaram-se contra o Mercosul, apoiando a agricultura nacional.

    A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares de São Paulo (Fhoresp) também aderiu ao boicote. 

    A ação tem gerado discussões sobre o impacto do boicote no setor.

    Boicote e reação do setor agropecuário

    O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou em entrevista ao Jornal da CBN que a medida de desculpas do Carrefour pode encerrar o boicote dos frigoríficos, mas ressaltou que o consumidor brasileiro não será afetado.

    "A carne que não está sendo entregue no Carrefour está sendo disponibilizada em outros estabelecimentos", afirmou Santin.

    A decisão do Carrefour de excluir carnes do Mercosul de suas prateleiras francesas foi oficializada em 20 de novembro, em carta de Bompard à Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores da França (FNSE).

    No documento, o CEO alegou que os produtos sul-americanos não atendem às exigências francesas, gerando tensão entre produtores e consumidores.

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