Disparada do dólar dará novo fôlego a cotações da soja e do milho
Moeda americana ronda os R$ 6, maior valor desde o Plano Real
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A alta do dólar frente ao real vem impulsionando as cotações da soja e do milho no Brasil, trazendo novo fôlego ao mercado agrícola.
Nesta quinta-feira (28), o dólar comercial opera próximo à marca de R$ 6,00, registrando alta de 0,68% e refletindo preocupações fiscais no cenário doméstico.
Esse movimento favorece os preços dos grãos, que são altamente atrelados ao mercado exportador, apesar das previsões de "safras cheias" no Brasil e outros grandes produtores.
Mesmo com o fechamento da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, os preços da soja e do milho mantêm trajetória firme no Brasil.
Dólar mais alto da história
Na terça-feira (dia 26), a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,9124, superando o recorde anterior de R$ 5,9007 registrado em 13 de maio de 2020, durante o auge da pandemia de COVID-19.
Saiba mais
Exportações sustentam boi gordo em 2026Já ontem (dia 27), o dólar continuou sua trajetória de alta, chegando a ser negociado a R$ 5,99 durante a abertura dos mercados, embora tenha recuado para R$ 5,96 posteriormente.
Mercado da soja
Na quarta-feira, a soja apresentou valorização nos portos e no mercado interno, influenciada pela moeda norte-americana.
Em Passo Fundo (RS), por exemplo, a saca de 60 quilos subiu de R$ 133,00 para R$ 134,50, enquanto no Porto de Rio Grande avançou de R$ 141,00 para R$ 143,50.
A alta do dólar tem efeito direto na competitividade da soja brasileira no mercado externo, incentivando os compradores internacionais a buscar o produto nacional.
Além disso, produtores têm aproveitado o momento para negociar volumes estratégicos, especialmente em regiões como Rondonópolis (MT), onde a saca valorizou de R$ 142,00 para R$ 143,00. No Paraná, a cotação em Cascavel saltou de R$ 135,00 para R$ 139,00.
Mercado do milho
No mercado do milho, a valorização cambial também gera impactos positivos, embora o ritmo de negócios ainda seja moderado em algumas localidades.
O cereal teve cotações entre R$ 73,00 e R$ 80,00 no Porto de Santos e entre R$ 72,00 e R$ 77,00 em Paranaguá. Em Campinas (SP), os preços oscilaram entre R$ 74,00 e R$ 76,00 a saca, enquanto em Cascavel (PR) ficaram entre R$ 68,00 e R$ 69,00.
A força do dólar frente ao real também aumenta a atratividade das exportações de milho, o que deve estimular a fixação de ofertas nos próximos dias.
Mesmo assim, os consumidores estão cautelosos, especulando possíveis quedas de preço no curto prazo.
Segundo a Safras Consultoria, a evolução climática e a paridade de exportação são fatores que seguem no radar do mercado.
Custos de produção podem subir
Além dos grãos, outros setores agrícolas também sentem os reflexos da alta do dólar. Insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas, podem ter custos elevados, pressionando as margens dos produtores.
Esse cenário exige cautela na gestão financeira, apesar dos ganhos observados nas exportações.