Trump ameaça Brics: “digam adeus aos EUA, se criarem nova moeda”
Presidente eleito dos EUA sinaliza impor tarifas de 100% caso bloco apoie moeda para substituir o dólar
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A 16ª Cúpula do Brics, realizada em outubro em Kazan, na Rússia, colocou em pauta um tema sensível: alternativas ao dólar norte-americano no comércio internacional.
No entanto, a discussão gerou forte reação do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas de 100% aos países membros do bloco caso adotem ou apoiem outra moeda.
"Exigimos que esses países se comprometam a não criar uma nova moeda do Brics, nem apoiar qualquer outra moeda que substitua o poderoso dólar americano. Caso contrário, eles sofrerão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia norte-americana", escreveu Trump em sua rede social no sábado.
Trump ainda elevou o tom, criticando a tentativa do bloco de reduzir a dependência do dólar. "Eles podem procurar outro 'otário'. Não há nenhuma chance dos Brics substituírem o dólar americano no comércio internacional, e qualquer país que tentar deve dizer adeus aos Estados Unidos", declarou.
A ameaça ocorre enquanto Trump se prepara para assumir o cargo em janeiro, reforçando promessas de campanha sobre penalizar nações que se afastem do uso do dólar.

Resposta do Kremlin
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, respondeu às declarações de Trump nesta segunda-feira (dia 2), classificando a tentativa de impor o dólar como moeda global como "um tiro pela culatra". Segundo Peskov, o dólar está perdendo apelo como moeda de reserva, com um número crescente de países explorando alternativas.
Durante o encontro, líderes do Brics, que incluem Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, avançaram na proposta de ampliar o uso de moedas nacionais em transações bilaterais.
A criação de uma moeda digital comum também foi debatida como uma alternativa para fortalecer o comércio internacional e os sistemas financeiros do bloco.
Brasil e a independência do dólar
O Brasil tem dado passos nesse sentido. Em março de 2023, firmou um acordo com a China para realizar operações comerciais diretamente em yuan, eliminando a necessidade de conversão para o dólar.
Em discurso por videoconferência durante a cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a relevância de buscar alternativas ao dólar.
"Agora é chegada a hora de avançar na criação de meios de pagamento alternativos para transações entre nossos países. Não se trata de substituir nossas moedas, mas de trabalhar para que a ordem multipolar que almejamos se reflita no sistema financeiro internacional", afirmou.
A posição do Brics reflete o desejo de seus membros de reduzir vulnerabilidades econômicas, particularmente frente a potenciais sanções internacionais, e de consolidar um sistema financeiro mais equilibrado.