O que é computação quântica e como ela pode ajudar no agro?

    Estudo da Embrapa destaca potencial da tecnologia para resolver problemas complexos na agricultura

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    O que é computação quântica e como ela pode ajudar no agro?
    10deDezembrode2024ás15:25

    Com potencial para resolver problemas complexos com mais rapidez e precisão, a computação quântica surge como uma tecnologia emergente capaz de transformar o agronegócio.

    Aplicada à agricultura digital, ela promete impulsionar áreas como modelagem climática, sensoriamento remoto, bioinformática e agricultura inteligente, conforme apontam estudos da Embrapa Agricultura Digital (SP) em parceria com o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital da Fapesp.

    Publicado na revista científica Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), um artigo detalha as aplicações e desafios da computação quântica no setor. 

    Segundo Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa e coautor do estudo, “pesquisas na fronteira do conhecimento, como em computação quântica, podem apoiar a tomada de decisões em diferentes elos das cadeias produtivas do setor de forma mais eficiente, pois envolvem processos com elevado grau de incerteza, desde o plantio até a comercialização”.

    Como funciona a computação quântica?

    A computação quântica utiliza propriedades da física quântica para realizar operações de armazenamento e processamento de informações, superando o modelo binário dos computadores clássicos.

    Segundo Kleber Souza, coordenador do estudo, essas máquinas são capazes de testar múltiplas possibilidades simultaneamente, oferecendo maior velocidade e precisão na solução de problemas complexos.

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    Aplicações práticas no agro

    Entre as principais frentes de aplicação da computação quântica no agronegócio estão:

    • Modelagem climática: a tecnologia pode aprimorar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta crucial para políticas públicas e concessão de crédito agrícola.
    • Fitossanidade: simulações avançadas auxiliam na identificação precoce de doenças em culturas como soja e milho.
    • Bioinformática: análises genômicas podem ser aceleradas, impulsionando pesquisas em melhoramento genético.
    • Sensoriamento remoto: sensores quânticos integrados a algoritmos de aprendizado de máquina prometem ampliar a precisão no monitoramento agrícola.

    Desafios e investimentos

    Apesar do potencial, a computação quântica ainda enfrenta barreiras, como altos custos de equipamentos, que podem chegar a US$ 20 milhões, e a necessidade de infraestrutura avançada, como ambientes operacionais em temperaturas próximas ao zero absoluto.

    Para Souza, o domínio da tecnologia será estratégico para o Brasil: “A pesquisa e a educação [voltadas ao tema] são áreas em que o Brasil também terá de investir para garantir a soberania tecnológica e manter a competitividade do setor agropecuário brasileiro”.

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    Computação quântica no Brasil

    No Brasil, os desafios para a implantação da computação quântica estão sendo mapeados e importantes iniciativas já estão em curso, ressalta Souza.

    Em 2022, foi organizado, pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Softex o evento “Desafio Brasil Computação Quântica” para discutir a questão.

    No mesmo ano, teve também o lançamento da Rede MCTI-Softex de Tecnologias Quânticas, coordenada pelo Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai). O objetivo é fomentar o ecossistema brasileiro de computação quântica, integrando as ações do governo aos centros de pesquisas, startups e preparar o País para a tecnologia.

    Em 2023, a Embrapa e o Senai Cimatec lançaram uma Unidade Mista de Pesquisa e Inovação Digital em Agricultura Tropical (Umipi DITAg).

    A parceria viabiliza o compartilhamento das infraestruturas computacionais e equipes das instituições para, a partir do uso de novos sensores, tecnologias quânticas, automação e robótica, alavancar o desenvolvimento de soluções digitais voltadas ao setor agropecuário em áreas como inteligência artificial, agricultura de precisão, internet das coisas, fotônica e rastreabilidade.

    Em 2024, a Fapesp lançou um programa de pesquisa para promover o progresso das tecnologias quânticas, impulsionar o desenvolvimento de startups, atrair investimentos globais e trazer talentos para o estado de São Paulo.

     Capacitação: o caminho para o futuro

    O desenvolvimento da computação quântica exige mais do que infraestrutura; é necessário investir na formação de especialistas. Países como Austrália e Alemanha já oferecem cursos de engenharia quântica, enquanto no Brasil o tema ainda é incipiente.

    Para Souza, a introdução de computadores educacionais a partir de US$ 500, associados a serviços em nuvem, pode ser uma porta de entrada para instituições iniciarem a exploração da tecnologia e formarem novos talentos.

    Um olhar para o futuro

    A computação quântica, embora ainda distante da maioria das propriedades rurais, promete ser uma aliada poderosa para enfrentar os desafios da agricultura moderna.

    Com potencial para resolver problemas em escala e velocidade sem precedentes, a tecnologia pode consolidar o Brasil como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, desde que sejam feitos investimentos em pesquisa, infraestrutura e capacitação.

    Números

    • Escala: enquanto um computador tradicional processa 10 mil interações de dados em um tempo específico, a computação quântica pode alcançar 100 mil.
    • Qubits: 34 qubits são suficientes para armazenar o genoma humano, enquanto 68 podem conter os genomas de toda a humanidade.
    • Investimentos globais: a Cleveland Clinic e a IBM firmaram uma parceria de US$ 500 milhões para instalar o sistema quântico One, voltado para pesquisas em tratamentos e vacinas.

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