Fé islâmica garante acesso a mercado de US$ 1,4 trilhão ao Brasil
Exportações brasileiras de produtos com certificação halal ganharam força em 2024
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Relação do Brasil com o mercado halal começou nos anos 1970, quando o país passou a fornecer frango à Arábia Saudita em troca de petróleo. (Foto Marcelo Camargo/Ag. Brasil)
As exportações brasileiras de produtos com certificação halal ganharam força em 2024, impulsionando a presença do país em um mercado global avaliado em US$ 1,4 trilhão, com 1,9 bilhão de consumidores.
No último ano, cerca de mais 50 novas empresas receberam a certificação, ampliando as oportunidades para o setor alimentício e industrial.
Segundo o balanço do projeto Halal do Brasil, desenvolvido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), 59 empresas habilitadas pelo programa abriram nove novos mercados nos dez primeiros meses de 2024.
Com isso, a iniciativa já alcança 156 países, de acordo com os critérios da ApexBrasil.
Entre janeiro e setembro de 2024, as empresas participantes exportaram US$ 3,61 bilhões, um crescimento de 20,48% em relação ao mesmo período de 2023.
Os produtos halal seguem princípios da lei islâmica, obedecendo regras específicas sobre a origem dos ingredientes, métodos de abate e higiene.
O selo é obrigatório em diversos países muçulmanos para determinados alimentos, além de ser um diferencial de mercado, garantindo confiança ao consumidor.
Principais destinos e produtos exportados
Os maiores mercados para os produtos brasileiros certificados foram Arábia Saudita, China, Emirados Árabes, Japão e Kuwait. Os itens mais exportados incluem:
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Frango
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Açúcar
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Carne bovina
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Café
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Algodão
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Óleo de amendoim
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Arroz

A variedade de produtos enviados para o exterior cresceu significativamente. O número de categorias exportadas saltou de 190 para 343 entre setembro de 2023 e o mesmo mês de 2024.
"O número de empresas exportadoras cresceu 80% em um ano, e muitas das novas habilitadas não são do segmento de proteínas, que sempre liderou nossas exportações. Isso nos dá perspectiva de ampliar a presença em produtos de maior valor agregado", avalia Osmar Chohfi, presidente da Câmara Árabe-Brasileira.
Expansão do mercado halal brasileiro
Apesar do avanço, a entidade vê espaço para crescimento nas categorias de produtos industrializados certificados, um segmento onde a participação brasileira ainda é pequena.
Atualmente, a pauta de exportação do Brasil para países da Organização para Cooperação Islâmica (OCI) é dominada por itens básicos, como açúcar, grãos, carne de frango e bovina, café e mate.
O relatório The State of Islamic Economy Report 2024 estima que o mercado halal movimenta anualmente US$ 1,4 trilhão em alimentos.
O Brasil, apesar do avanço nas exportações, responde por apenas 9,81% das importações totais do bloco islâmico.
O Brasil no mercado halal desde os anos 1970
A relação do Brasil com o mercado halal começou nos anos 1970, quando o país passou a fornecer frango à Arábia Saudita em troca de petróleo, durante a Crise do Petróleo. Desde então, o Brasil se tornou o maior exportador mundial de proteínas halal, movimentando cerca de US$ 5 bilhões ao ano.

Além disso, o país é hoje o maior fornecedor de alimentos para os 57 países da Organização para Cooperação Islâmica (OCI), com exportações que somaram US$ 23,39 bilhões em 2023, conforme dados da Inteligência de Mercado da Câmara Árabe-Brasileira.
Promoção comercial e novos setores
Para fortalecer a presença do Brasil no setor halal, a Câmara Árabe e a ApexBrasil realizam ações de promoção comercial. Nos últimos dois anos, missões foram organizadas para feiras estratégicas, como Gulfood (Emirados Árabes), MIHAS (Malásia), Anuga (Alemanha), Saudi Halal Expo (Arábia Saudita) e Food Africa (Egito).
Em dezembro de 2023, uma rodada de negócios em São Paulo reuniu 45 empresas brasileiras e 9 importadores do Norte da África, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Os compradores também visitaram fábricas em Goiás, Minas Gerais e Paraná, em uma ação conjunta com federações de indústrias e governos estaduais.
Entre as empresas que aderiram ao projeto após essas visitas está a Danês Alimentos, primeira fabricante de ração para pets a integrar o Halal do Brasil. A companhia busca certificação para seus produtos e já confirmou participação na Food Africa, mirando o mercado egípcio.
"A certificação halal pode ser um diferencial competitivo. Em supermercados da Malásia, por exemplo, produtos com o selo ficam nas gôndolas nobres, enquanto os itens sem certificado são colocados em seções separadas para não-muçulmanos", explica Chohfi.
Além da Danês, novas participantes incluem empresas dos setores de biscoitos, massas, doces, chocolates, sorvetes, cafés e produtos amazônicos.
"Temos uma posição forte em carnes e commodities, mas o crescimento virá da venda de produtos com maior valor agregado", conclui Chohfi.