Gripe aviária: surto nos EUA acende alerta para risco no Brasil; fiscais denunciam falta de estrutura

    Gargalos na fiscalização colocam avicultura e exportações em risco, alerta Anffa

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    Gripe aviária: surto nos EUA acende alerta para risco no Brasil; fiscais denunciam falta de estrutura
    04deFevereirode2025ás16:56

    O primeiro surto de influenza aviária H5N9 em aves nos Estados Unidos acendeu um alerta para o Brasil: a necessidade urgente de reforço na defesa agropecuária.

    A preocupação foi levantada nesta terça-feira pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), que aponta falhas estruturais que podem comprometer a resposta do país caso a doença chegue ao território nacional.

    A  gripe aviária é altamente contagiosa e tem impactos severos na avicultura. O alerta é ainda mais crítico considerando o protagonismo do Brasil nas exportações de carne de frango, que representam mais de 30% do comércio global da proteína animal.

    Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango atingiram o recorde de 5,294 milhões de toneladas em 2024, um crescimento de 3% em relação ao ano anterior. 

    Apesar desse desempenho, fiscais federais alertam para a fragilidade do sistema de defesa agropecuária.

    “A influenza aviária entrou no Brasil no ano passado em criações de subsistência, mas não atingiu granjas comerciais. O sistema de biosseguridade é robusto, com controle das empresas e fiscalização oficial, que inclui vigilância nos frigoríficos e coleta de material para análise. No entanto, há gargalos estruturais que precisam ser resolvidos”, explica Henrique Pedro Dias, diretor de Política Profissional do Anffa Sindical.

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    Falta de estrutura compromete resposta do Brasil

    O déficit de fiscais agropecuários compromete a capacidade do Brasil de reagir rapidamente caso o vírus se espalhe pelo país. Hoje, o número de servidores, segundo a entidade, está muito abaixo do necessário, enquanto o setor agropecuário bate recordes de exportação.

    “Na produção, a influenza aviária está controlada pela atuação dos auditores fiscais federais agropecuários, mas há desafios sérios, como a falta de investimentos na defesa agropecuária e na estrutura de fiscalização. Faltam uniformes, veículos, equipamentos e orçamento para execução das atividades, além de recursos humanos. A reposição de 200 fiscais é insuficiente diante da necessidade real, já que mais de 1,2 mil servidores estão prestes a se aposentar”, alerta Dias.

    A gripe aviária H5N9 é transmitida principalmente por aves migratórias, que podem carregar o vírus ao longo de suas rotas, incluindo o território brasileiro. Por isso, a vigilância sobre esses animais é essencial.

    Risco

    A chegada da doença ao Brasil representaria um grande risco não apenas para a avicultura nacional, mas também para a saúde pública e para as exportações.

    Países que enfrentaram surtos registraram prejuízos bilionários, tanto pelo abate em massa de aves quanto pelas barreiras comerciais impostas por mercados internacionais.

    Nos Estados Unidos, a recente detecção do vírus em vacas leiteiras e até em humanos sem contato com aves gerou preocupação entre pesquisadores, que apontam o risco de uma nova epidemia ou pandemia da influenza aviária.

    “Se a fiscalização for deixada apenas para as empresas, sem uma estrutura adequada de auditoria e ferramentas de punição em caso de problemas, pode haver ocultação de casos, já que surtos afetam diretamente o mercado e as exportações. Isso aumenta o risco a curto prazo e compromete, no longo prazo, a credibilidade da defesa agropecuária brasileira”, alerta Dias.

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    Impacto econômico pode chegar a R$ 21,7 bilhões

    A fragilidade da defesa agropecuária pode gerar impactos financeiros expressivos para o Brasil. Um estudo conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Agro) em julho do ano passado, a pedido do Anffa Sindical, estimou que um surto de gripe aviária poderia causar um prejuízo de R$ 21,7 bilhões por ano à economia brasileira.

    O agronegócio seria o setor mais atingido, com perdas de R$ 11,8 bilhões e a eliminação de cerca de 26 mil postos de trabalho. O estudo também prevê uma queda de R$ 1,3 bilhão na arrecadação de impostos e uma redução de R$ 3,8 bilhões na renda da população.

    Diante desse cenário, fiscais agropecuários reforçam a necessidade urgente de recomposição do quadro de auditores, abertura de concursos públicos e investimentos em tecnologia e infraestrutura.

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