Trump anuncia novas tarifas e Brasil está entre os mais afetados

    Governo brasileiro diz que não comentará o assunto antes do anúncio oficial da Casa Branca

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    Trump anuncia novas tarifas e Brasil está entre os mais afetados
    10deFevereirode2025ás09:29

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que irá anunciar nesta segunda-feira (10) uma nova rodada de tarifas sobre as importações de aço e alumínio, aplicando uma taxa de 25% que se somará às restrições já existentes sobre metais. 

    A medida deve atingir diretamente o Brasil, um dos maiores exportadores desses produtos para o mercado norte-americano.

    Em entrevista, Trump afirmou que divulgará detalhes sobre tarifas recíprocas na terça-feira (11) ou quarta-feira (12), com implementação quase imediata. 

    O Brasil, ao lado de Coreia do Sul, México e Canadá, está entre os países mais afetados, com um impacto estimado em até US$ 6 bilhões em vendas.

    O Itamaraty informou que não comentará o assunto até o anúncio oficial da Casa Branca.

    Impacto para o Brasil

    Atualmente, cerca de 25% do aço consumido nos Estados Unidos é importado, com boa parte vinda de países como Canadá e México, além de aliados na Ásia. No caso do alumínio, metade da demanda do país é suprida por importações, sendo o Canadá o principal fornecedor.

    Em 2024, o Brasil foi o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas de Canadá e México, segundo dados do Departamento de Comércio americano.

    Apesar da dependência norte-americana desse insumo, Trump defende que a medida é necessária para proteger a indústria local.

    O governo brasileiro optou por aguardar a oficialização das novas tarifas antes de se pronunciar sobre eventuais retaliações. 

    Trump reforça estratégia protecionista

    Trump justificou a decisão alegando que os Estados Unidos igualarão as tarifas aplicadas por outros países. "Se eles nos cobrarem, nós os cobraremos", declarou o presidente.

    Durante seu primeiro mandato, ele impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, mas concedeu isenções para Canadá, México e Brasil. Posteriormente, o ex-presidente Joe Biden ampliou essas cotas para o Reino Unido, Japão e a União Europeia.

    No entanto, a capacidade das siderúrgicas americanas tem caído nos últimos anos, o que pode ter motivado Trump a endurecer a política tarifária.

    Dados do governo norte-americano e do American Iron and Steel Institute apontam que as principais fontes de aço importado pelos EUA são Canadá, Brasil e México, seguidos por Coreia do Sul e Vietnã.

    No caso do alumínio primário, o Canadá responde por 79% das importações nos primeiros 11 meses de 2024.

    Novas tarifas devem ser detalhadas nesta semana

    O presidente dos EUA afirmou que concederá uma entrevista entre terça e quarta-feira para explicar melhor o funcionamento das tarifas recíprocas. Segundo ele, a medida busca corrigir distorções nas taxas aplicadas sobre produtos americanos no exterior.

    Um dos exemplos citados por Trump é a tarifa de 10% imposta pela União Europeia sobre carros importados, enquanto os EUA aplicam apenas 2,5% sobre veículos estrangeiros.

    "A Europa manda milhões de carros para cá, mas não aceita os nossos. Isso precisa mudar", afirmou.

    Apesar das críticas, os Estados Unidos mantêm uma taxa de 25% sobre caminhonetes importadas, o que beneficia gigantes como General Motors, Ford e Stellantis.

    Reação do Brasil

    Diante das ameaças de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reagido. Ele vem afirmando que, se as tarifas forem impostas ao Brasil, haverá medidas de reciprocidade.

    "Se ele taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade do Brasil. Simples, não tem nenhuma dificuldade", disse Lula.

    O petista lembrou que já governou o país em períodos com diferentes presidentes norte-americanos, como George W. Bush e Barack Obama, e que manterá sua linha diplomática. "É uma relação de um Estado soberano com outro Estado soberano", declarou.

    Agronegócio monitora possíveis impactos

    A nova rodada de tarifas imposta pelos Estados Unidos gera preocupação no agronegócio brasileiro, que teme uma possível ampliação das medidas para outros setores, segundo o Pensar Agro.

    Em 2024, o comércio bilateral entre Brasil e EUA alcançou um recorde histórico de US$ 80,9 bilhões, alta de 8,2% em relação ao ano anterior.

    As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 31,6 bilhões, com destaque para produtos industriais, que representaram 78,3% das vendas. 

    Com a possível elevação das tarifas, a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano pode ser afetada.

    O setor já busca alternativas para minimizar os impactos, como diversificação de mercados e negociações bilaterais que garantam condições mais favoráveis para as exportações. 

    Disputa comercial global se intensifica

    A postura protecionista de Trump não afeta apenas o Brasil. O presidente americano tem endurecido sua política comercial contra parceiros como China, Canadá e México, o que gerou retaliações.

    Na última semana, Pequim anunciou tarifas sobre combustíveis, veículos e máquinas agrícolas dos EUA em resposta à nova taxa de 10% imposta por Washington sobre produtos chineses.

    O Ministério das Finanças da China estabeleceu tarifas de 15% sobre carvão e gás natural liquefeito, além de 10% sobre petróleo bruto, equipamentos agrícolas e automóveis importados dos EUA.

    Já Canadá e México adotaram estratégias diferentes. Ambos conseguiram negociar a suspensão das tarifas por 30 dias após oferecerem contrapartidas, como o reforço na segurança das fronteiras para conter o tráfico de fentanil.

    O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, chegou a anunciar tarifas retaliatórias sobre bebidas alcoólicas, alimentos e eletrodomésticos dos EUA, mas as medidas foram retiradas após um acordo.

     O México, por sua vez, prometeu responder com sanções, mas recuou ao aceitar reforçar sua fronteira norte com 10 mil agentes da Guarda Nacional, enquanto os EUA se comprometeram a dificultar o contrabando de armas para o território mexicano.

    Com a expectativa do anúncio oficial das tarifas por Trump nesta semana, a tensão no comércio internacional aumenta.

    O Brasil segue atento aos desdobramentos e às possíveis retaliações para proteger suas exportações e minimizar os impactos no setor produtivo.

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