Mercado financeiro eleva previsão da inflação pela 18ª semana seguida; Selic deve subir em março
IGP-10 acelera alta para 0,87% em fevereiro e acumula 8,35% em 12 meses
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A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — referência oficial da inflação no Brasil — avançou de 5,58% para 5,6% em 2025, marcando a 18ª alta consecutiva.
Os dados são do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central (BC), com as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
As projeções para os anos seguintes também subiram: 4,35% em 2026 (ante 4,3%), 4% em 2027 e 3,8% em 2028.
A estimativa para 2025 supera o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — entre 1,5% e 4,5%.
Inflação perde força em janeiro, mas cenário segue desafiador
Em janeiro, o IPCA recuou para 0,16%, o menor índice para o mês desde 1994, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado foi influenciado pelo desconto na conta de luz gerado pelo Bônus Itaipu. Em dezembro de 2024, a inflação havia registrado 0,52%.
Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses é de 4,56%. O recuo não representa queda nos preços, mas uma alta mais lenta.
Juros: Selic deve subir em março para conter inflação
Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,25% ao ano.
Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a Selic pela quarta vez consecutiva, reforçando o ciclo de aperto monetário diante da alta do dólar e das incertezas globais.
O Copom indicou que elevará a Selic em mais 1 ponto percentual na reunião de março, mas não antecipou se novas altas ocorrerão em maio, condicionando a decisão ao comportamento da inflação.
As projeções para a Selic são:
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2025: 15% ao ano
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2026: 12,5% ao ano
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2027: 10,5% ao ano
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2028: 10% ao ano
Juros mais altos encarecem o crédito e inibem o consumo, ajudando a conter a inflação, mas também podem desacelerar a economia.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Perspectivas para o PIB e o câmbio
O mercado financeiro reduziu a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, de 2,03% para 2,01%. As projeções para os anos seguintes são:
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2026: 1,7%
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2027: 1,98%
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2028: 2%
Em 2024, o PIB cresceu 0,9% no terceiro trimestre em relação ao segundo, segundo o IBGE. O crescimento acumulado de janeiro a setembro foi de 3,3%. O resultado oficial de 2024 será divulgado em 7 de março.
Para o câmbio, o mercado projeta o dólar a R$ 6 ao fim de 2025, com estabilidade no mesmo patamar até 2026.
IGP-10 sobe 0,87% em fevereiro
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou alta de 0,87% em fevereiro, acima da variação de 0,53% em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Com esse resultado, o índice acumula avanço de 1,40% no ano e de 8,35% em 12 meses.
O desempenho do IGP-10 superou as expectativas do mercado, que projetava, segundo o Projeções Broadcast, uma alta máxima de 0,50%, com mediana positiva de 0,24% e piso de queda de 0,50%.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, o cenário é oposto. Em fevereiro de 2024, o índice havia recuado 0,65% no mês e acumulado queda de 3,84% em 12 meses.
Desempenho dos componentes do IGP-10
O IGP-10 é formado por três indicadores principais:
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IPA-10 (Índice de Preços ao Produtor Amplo): avançou 1,02% em fevereiro, após subir 0,57% em janeiro. O IPA-10 mede a variação de preços no atacado, influenciando fortemente o resultado geral.
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IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor): teve alta de 0,44% em fevereiro, acima do aumento de 0,26% registrado no mês anterior. O indicador reflete o comportamento dos preços no varejo.
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INCC-10 (Índice Nacional de Custo da Construção): desacelerou, marcando alta de 0,55% em fevereiro, abaixo da elevação de 0,74% registrada em janeiro. O INCC acompanha a variação de preços da construção civil.
Os preços utilizados no cálculo do IGP-10 de fevereiro foram coletados entre os dias 11 de janeiro e 10 de fevereiro de 2025.