Agronegócio: um setor trilionário ainda sem marca própria
Lideranças alinham forças para lançar branding “Agro do Brasil” com objetivo aproximar a cidade do campo
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O agronegócio, setor que deve faturar quase 1,3 trilhão em 2025, está prestes a lançar uma marca para ajudar a fortalecer sua reputação.
O projeto “Marca Agro do Brasil” conta com o apoio de entidades do setor e autoridades e tem como objetivo aproximar a cidade do campo, despertando a admiração dos brasileiros pelo Agro brasileiro.
O objetivo em médio prazo é "converter" até 70 milhões de brasileiros de uma leitura neutra para positiva ao agronegócio nacional.
Assim, o agronegócio brasileiro se prepara para dar um passo estratégico para melhorar e consolidar sua imagem no mercado nacional e internacional com o lançamento da marca "Agro do Brasil".
Ponto de partida
Com o apoio de autoridades, entidades e associações, e a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agrícola (ABMRA) como mentora, o projeto tem como ponto de partida a pesquisa “Percepções sobre o Agro: O que pensa o Brasileiro”.
De acordo com o estudo, que entrevistou 4.215 pessoas seguindo a amostragem do IBGE, sete a cada 10 brasileiros têm uma posição positiva e estão solícitos a ouvir as histórias do setor, que aparece entre os mais apreciados pela população.
No entanto, 30% se dizem propensos a boicotar o Agro, e destes, 51% são jovens com idades entre 15 e 29 anos.
A conquista da confiança e da simpatia tanto da população urbana quanto rural é um dos pilares do movimento.
"O Agro não é apenas produção; é mercado, tecnologia, sustentabilidade e uma força econômica que atinge diretamente a vida de todos os brasileiros. Queremos aproximar a cidade do campo e mostrar que o Agro é de todos e para todos", ressalta o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos.

Mais do que produção de alimentos, com a força de um setor que alimenta uma boa parte do mundo e gera empregos para milhões de brasileiros, a marca "Agro do Brasil" chega como um símbolo de orgulho e oportunidade, conectando o Agro brasileiro ao futuro.
Para aumentar o impacto de todas as ações e a efetividade dos resultados, o projeto atuará norteado em três pilares essenciais.
O primeiro é a Consistência, com foco na produção de conteúdos baseados em ciência e em informações sérias extraídas de fontes oficiais. A Frequência direcionará para ações e mensagens contínuas, convivendo no dia a dia da população de forma perene. E a Sequência, com informações transmitidas de forma gradual e em evolução, para que haja melhor compreensão pelos diversos públicos.
Apoio unânime
Durante uma apresentação magna do projeto realizada em São Paulo, no primeiro semestre de 2024, o ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, declarou estar admirado com a iniciativa que reúne tantas pessoas em prol do reconhecimento do setor agropecuário:
“Eu estou encantado com o projeto. Eu estou há muitos anos engajado nessa luta da comunicação do Agro e percebo claramente que faltava uma iniciativa como essa, que unisse o setor todo na causa. Nós precisamos amar, respeitar e admirar o agro. Porque é a admiração que traz o orgulho. O Agro vai fazer o Brasil campeão mundial na segurança alimentar, que trará paz. E eu sonho com o momento em que nós levantaremos essa taça de campeões mundiais no combate à fome e na conquista da paz”.
A marca "Agro do Brasil" pretende ir além de destacar o agronegócio como o responsável por alimentar o Brasil e uma grande população ao redor do mundo. O objetivo é ampliar o entendimento sobre o setor, evidenciando também seu papel como um robusto mercado consumidor, repleto de oportunidades para negócios e inovação.
Para o presidente do sistema Faesp/Senar-SP, Tirso Meirelles, o projeto Marca Agro do Brasil simboliza uma evolução na representação do agronegócio tal como ele é.
“Essa iniciativa é essencial para a construção de uma imagem do Agro mais próxima da realidade. A falta de informação, assim como a inexistência de uma política de Estado para o setor agropecuário, enfraquece o campo e as cadeias produtivas. Esse é um momento de união de esforços para que o Agro assuma seu lugar de direito, como motor da economia nacional e derrube os mitos construídos ao longo de décadas”, destaca Meirelles.
Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, o projeto Marca Agro do Brasil ajudará a combater as narrativas inverídicas contadas sobre o setor, que atrapalham seu desenvolvimento como um todo.
“A grande dificuldade que nós, que trabalhamos com o Agro, temos no dia a dia é a comunicação. Eu passo o dia todo combatendo inverdades acerca do nosso setor. Infelizmente, nós precisamos sempre jogar na defensiva, ficar nos explicando. Então, nós precisamos incutir isso na nossa sociedade da forma mais natural possível. Precisamos falar sobre o desenvolvimento social e das grandes fronteiras agrícolas, como o Agro está presente na vida de cada brasileiro”.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressalta a dificuldade latente da comunicação para a construção de credibilidade em um contexto de grande crescimento do setor nos últimos cinquenta anos, quando o Brasil deixou a condição de importador para exportador de alimentos.
“O Agro teve um crescimento muito grande nos últimos cinquenta anos. Entretanto, a questão da comunicação ainda é um desafio, porque muitas vezes nós nos comunicamos apenas internamente, com os produtores. É essencial que o Agro melhore a sua comunicação, especialmente com o meio urbano. Nós precisamos mostrar para a sociedade todo o impacto do setor, seja ele ambiental, social ou econômico. Por isso, é muito interessante ver a união desta iniciativa, que junta os setores público e privado, porque ninguém faz nada sozinho”, explica a presidente da Embrapa.