Fávaro garante elevação do percentual de biodiesel: "adiamento é temporário"
Alta da inflação dos alimentos motivou medida do governo
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O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de manter o percentual de biodiesel no diesel em 14% (B14) é temporária.
Segundo ele, o governo federal segue comprometido com o fortalecimento do setor de biocombustíveis e com a transição energética.
A declaração durante reunião com representantes da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio).
No encontro, o ministro ressaltou que o incentivo ao biodiesel voltou a ser uma prioridade da atual gestão.
Fávaro destacou que, no governo anterior, a mistura havia sido reduzida para 10% (B10), favorecendo a importação de diesel de menor qualidade, como o S500, que contém enxofre e metais pesados.
Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor de biocombustíveis do mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos e Indonésia.
A suspensão temporária do aumento para 15% (B15), previsto para entrar em vigor em março de 2025, foi decidida pelo CNPE no último dia 18. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a medida visa conter os preços dos alimentos, uma das principais preocupações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Insatisfação
O setor agropecuário demonstrou insatisfação com o adiamento do aumento da mistura. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) classificou a medida como um "atraso para o Brasil" no processo de transição energética e criticou a decisão do CNPE por contrariar a Lei do Combustível do Futuro.
O deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da FPA, afirmou que a medida gerará impactos negativos ao setor da proteína animal, além de trazer insegurança jurídica e atrasar investimentos na indústria.
Ele reforçou que o Congresso Nacional será um espaço de resistência contra a decisão, buscando um debate mais amplo sobre o tema.
Além dos impactos ambientais e energéticos, Fávaro destacou que o biodiesel movimenta diferentes cadeias produtivas.
A principal matéria-prima utilizada na produção do combustível é a soja, cuja estimativa de produção para a safra 2024/25 é de 166 milhões de toneladas, um aumento de 12,4% em relação à safra anterior, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O ministro também ressaltou que a utilização de biocombustíveis agrega valor à produção de soja, milho e canola, estimula a geração de empregos e contribui para a formação de preços, já que o óleo de soja influencia o valor do farelo, utilizado na alimentação animal.
A Abiove, que representa grandes empresas do setor de óleos vegetais, reforçou seu apoio à Moratória da Soja e às iniciativas que favorecem a sustentabilidade.
Em nota, a entidade declarou que segue comprometida com a produção de biocombustíveis e com o desenvolvimento sustentável da agroindústria brasileira.