Copom eleva Selic para 14,25% ao ano e sinaliza novo ajuste em maio
Preço dos alimentos e incertezas globais influenciaram decisão
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Banco Central alertou para o risco de persistência da inflação de serviços e reafirmou que seguirá monitorando a política fiscal do governo. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano.
O novo patamar, o mais alto desde outubro de 2016, iguala-se ao registrado durante a crise do impeachment de Dilma Rousseff.
A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro diante da alta nos preços de alimentos e energia, além das incertezas no cenário econômico global. O Copom indicou que pode elevar a Selic novamente na reunião de maio, embora em ritmo menor.
Em comunicado, o Copom destacou que as incertezas externas, especialmente ligadas à política comercial, aumentam a imprevisibilidade sobre a postura do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. No Brasil, a economia segue aquecida, mas com sinais de desaceleração.
A inflação continua elevada, tanto no índice geral quanto nos núcleos (que excluem preços mais voláteis, como alimentos e energia).
O Banco Central alertou para o risco de persistência da inflação de serviços e reafirmou que seguirá monitorando a política fiscal do governo.
“O comitê segue acompanhando como os desdobramentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue influenciando os preços dos ativos e as expectativas do mercado”, destacou o comunicado.
Apesar de confirmar um novo aumento da Selic em maio, o Copom não indicou qual será sua postura após essa reunião. O Banco Central reafirmou que a magnitude do ciclo de alta dos juros dependerá da evolução da inflação e do compromisso com a meta.
Selic no maior patamar em quase uma década
A alta da Selic marca o quinto aumento consecutivo e consolida um ciclo de aperto monetário. Desde setembro do ano passado, a taxa subiu de 10,5% para 14,25%, com sucessivas elevações.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o IPCA avançou 1,48%, pressionado pelo fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e pelo aumento nos preços dos alimentos.