J&F dá garantia de R$ 500 milhões a BNDES para negociar ações da JBS nos EUA

Acesso a capital externo poderá conduzir empresa ao seleto grupo das 500 maiores da NYSE

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J&F dá garantia de R$ 500 milhões a BNDES para negociar ações da JBS nos EUA
25deMarçode2025ás11:17

A JBS informou hoje (dia 25) que protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedidos de registro de emissor estrangeiro e de programa de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) Nível II.

Além disso, a empresa apresentou pedido semelhante à B3 para registro de emissor e admissão à listagem desses papéis. Esses pedidos estão sendo analisados pela CVM e pela B3.

Paralelamente, a empresa também está em processo junto à Securities and Exchange Commission (SEC), autoridade reguladora do mercado de valores mobiliários nos Estados Unidos, para obter autorização de negociar suas ações no mercado americano.

Para viabilizar a dupla listagem, a JBS firmou um acordo com o BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O apoio da instituição pode confirmar a dupla listagem entre os acionistas da gigante das carnes.

O acordo prevê que o BNDESPar não participará da votação na assembleia que decidirá sobre a internacionalização da empresa, deixando a decisão nas mãos dos demais acionistas minoritários.

O BNDESPar detém 20,8% do capital social da JBS, sendo o maior acionista minoritário da companhia.

A J&F, controlada pelos irmãos Batista, possui 48,3% das ações, mas não terá direito a voto nessa assembleia específica, tornando o posicionamento do BNDESPar crucial.

No acordo anunciado, a J&F comprometeu-se a oferecer uma proteção financeira de até R$ 500 milhões ao BNDESPar caso as ações da JBS não atinjam determinado patamar de valorização após a dupla listagem. A valorização mínima prevista permanece em sigilo.

Tenacidade

O movimento ocorre após diversas tentativas anteriores da JBS de internacionalizar suas ações. Desde 2016, diferentes planos foram anunciados, mas enfrentaram vetos do BNDES, além de questões legais e impactos da pandemia de Covid-19.

O BNDES foi contra porque o movimento pode ameaçar a posição do banco público como o principal acionista minoritário, diluição ou redução do valor de suas ações e preocupação com controles externos, além do histórico de conflitos com a J&F.