O plano bilionário da Koppert para multiplicar por cinco - no mínimo - sua produção de biológicos no Brasil

Gustavo Herrmann, diretor-comercial da multinacional, destaca a velocidade dos bioinsumos em responder a pragas e doenças emergentes

O plano bilionário da Koppert para multiplicar por cinco - no mínimo - sua produção de biológicos no Brasil
01deAbrilde2025ás17:13

Na última década, o mercado de defensivos biológicos ostenta crescimento anual de dois dígitos e já deixou de ser algo apenas alternativo na estratégia de proteção das lavouras.

Cada vez mais, os produtores brasileiros têm percebido que aliar produtividade, custo-benefício e sustentabilidade não só é possível, como também fundamental para enfrentar desafios crescentes no campo.

Para atender a demanda crescente, a  Koppert já aposta no Brasil há 15 anos e visa "dobrar a meta" (na verdade vai quintuplicar!) com um pacote de investimentos de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) para dois novos parques industriais no país até 2030.

A multinacional holandesa dedicada 100% aos biológicos investe fortemente em P&D para responder na velocidade da natureza a pragas e doenças emergentes (como greening nas laranjas, ferrugem asiática na soja, bicudo no algodão, cigarrinha no milho e outras).

"O que a gente sempre fala sobre biológicos é que, embora você identifique algo que já existe na natureza, é preciso desenvolver uma forma de produzir aquilo em larga escala, garantindo padronização de qualidade, eficiência e performance. Esse é o grande desafio”, diz o executivo.

Nesse cenário, o Brasil não só se beneficia da expertise global da empresa como também passa a exportar conhecimento e produtos para outros continentes.

O aprimoramento das técnicas de pesquisa, desenvolvimento e produção de microrganismos, bem como de macroorganismos benéficos, que já tornaram-se padrão para a maioria dos produtores no Brasil, país que lidera a adoção de insumos biológicos.

"Se considerarmos que o biológico ainda representa de 6% a 7% do mercado de proteção de plantas, há muito espaço para crescer. Acreditamos que, em 20 anos, pode até superar o químico em participação, porque a lógica de controle está sendo invertida”, afirma.

Confira a seguir a íntegra da entrevista:

Agrofy News Brasil: Os biológicos estão crescendo a dois dígitos todos os anos, mas existiu ou existe uma bolha? Quem vai perseverar nesse segmento?

Gustavo Herrmann: Legal, um prazer estar falando contigo aqui, falando com o pessoal que acompanha a Agrofi. É sempre um prazer poder falar do nosso negócio, do nosso segmento de biológicos.

A Koppert, como você sabe, é uma empresa holandesa que está no Brasil há 15 anos e trabalha 100% com biológicos. Eu achei bem interessante você chamar o segmento de tecnologia, porque é exatamente isso.

koppert pira

Quando a gente começou a trabalhar com controle biológico, nos anos 1990, eu e o Danilo – que é o outro responsável pela área de América do Sul junto comigo aqui na Koppert – percebemos que o Brasil tem uma biodiversidade muito grande de organismos para se trabalhar.

Ou seja, quando você recorre a bancos públicos como os da Embrapa, ou vai a instituições e universidades, encontra inúmeras possibilidades de biofungicidas, bioinseticidas e até bioherbicidas. Mas, naquela época, faltava tecnologia de produção em larga escala.

Por isso fomos buscar a Koppert. Já nos anos 2000, ela era a principal empresa do mercado, tanto em tamanho quanto em avanço tecnológico, com foco muito forte em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

O que a gente sempre fala sobre biológicos é que, embora você identifique algo que já existe na natureza, é preciso desenvolver uma forma de produzir aquilo em larga escala, garantindo padronização de qualidade, eficiência e performance. Esse é o grande desafio.

Quem trabalha com controle biológico há muitos anos sempre ouviu: “Tem hora que funciona, tem hora que não funciona”. Claro, se você contar apenas com o que está na natureza, vai estar sujeito a intempéries, clima etc.

Apesar de os produtos biológicos ainda dependerem de algumas condições para serem aplicados, hoje existe toda uma tecnologia de produção e formulação – tanto de microrganismos quanto de macroorganismos – que faz a diferença na performance.

Isso é a grande novidade, se compararmos com o controle biológico rudimentar de décadas atrás, quando se batia vírus de lagarta no liquidificador e se aplicava no campo.

Hoje, temos grandes biofábricas com produtos de larga escala, cuja performance pode ser comparada à dos agroquímicos.