Agro bate recorde de empregos em 2024 e representa 1 em cada 4 ocupações no Brasil

    No entanto, agricultura e pecuária registraram o menor nível de ocupação desde 2012

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    Agro bate recorde de empregos em 2024 e representa 1 em cada 4 ocupações no Brasil
    02deAbrilde2025ás14:24

    O agronegócio brasileiro alcançou um novo recorde em 2024, empregando 28,2 milhões de pessoas — alta de 1% em relação ao ano anterior, o equivalente a cerca de 278 mil novos postos de trabalho. 

    Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

    Com isso, o setor passou a responder por 26,02% das ocupações totais no Brasil, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2012.

    O crescimento foi puxado principalmente pelos segmentos de insumos, agroindústria e agrosserviços. O número de ocupados no setor de insumos subiu 3,6%, impulsionado pelo aumento na indústria de rações (14,6%, ou 18 mil pessoas). 

    A indústria de medicamentos veterinários teve avanço modesto (2,1%, ou cerca de 400 pessoas), enquanto os demais segmentos recuaram. 

    Na agroindústria, houve crescimento de 5,2% (231 mil pessoas), com destaque para o abate de animais (7,2% ou 43,7 mil pessoas), massas e outros alimentos (10,4% ou 40,6 mil), móveis de madeira (6,6% ou 32,1 mil) e moagem e produtos amiláceos (14,6% ou 22,5 mil). Juntas, essas atividades adicionaram 139 mil trabalhadores, gerando demanda por serviços e fortalecendo os agrosserviços.

    O segmento de agrosserviços registrou o maior avanço absoluto: 3,4%, com acréscimo de 337,6 mil postos, totalizando 10,18 milhões de ocupados.

    Essa área abrange desde transporte e armazenamento até serviços jurídicos, administrativos e contábeis. O resultado reflete a retomada da agroindústria e a necessidade crescente de serviços especializados, essenciais para operações cada vez mais complexas.

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    Setor primário na contramão

    No segmento primário (agricultura e pecuária), houve queda de 3,7% na população ocupada, o que representa a saída de 302 mil pessoas.

    Na agricultura, a redução foi de 3,1% (167 mil), com perdas expressivas em lavouras diversas (-2%), cereais (-5,6%), produção florestal (-6,7%) e cafeicultura (-3,3%). As exceções foram algodão e uva, que cresceram. 

    Na pecuária, quase todas as atividades encolheram, exceto a categoria “outros animais”, que teve alta de 9,9% (22 mil pessoas).

    Com isso, o segmento primário recuou para 7,95 milhões de trabalhadores, o menor número da série histórica.

    Após recuperação em 2021, a tendência de queda se intensificou a partir de 2022, resultado da modernização do setor — marcada por mecanização, automação e tecnologias que aumentam a produtividade, mas reduzem a demanda por mão de obra menos qualificada.

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    Esse processo tem provocado a migração de trabalhadores para os segmentos de agroindústria e serviços, com maior capacidade de absorção e melhores condições de remuneração.

    A transformação estrutural acompanha o padrão de economias em desenvolvimento e sustenta os recordes de emprego no setor como um todo. 

    Além da tecnologia, fatores demográficos também influenciam: famílias rurais menores e o êxodo de jovens para áreas urbanas dificultam a permanência de pequenos produtores e trabalhadores familiares no campo, segundo pesquisadores do Cepea/CNA

    .Nesse cenário, políticas públicas voltadas à qualificação, assistência técnica e incentivo à inovação são cruciais para garantir a sustentabilidade da ocupação rural.

    Perfil dos trabalhadores e rendimento

    Entre 2023 e 2024, o avanço no emprego foi acompanhado por mudanças no perfil da força de trabalho.

    Houve aumento no número de empregados com e sem carteira assinada, maior presença de mulheres e crescimento da participação de trabalhadores com maior escolaridade — tendência que tem se consolidado no setor. 

    Os rendimentos mensais também melhoraram. Empregados no agronegócio tiveram alta de 4,5% nos ganhos, superando o crescimento observado no mercado de trabalho geral (4%).

    Entre empregadores, o aumento foi de 1,6%, abaixo da média nacional (2,9%). Já os trabalhadores por conta própria viram os rendimentos subirem 3,3%, também aquém do mercado geral (5,7%).

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