Maluma: super avocado sul-africano ganha mercado do queridinho hass mundo afora
Variedade obtém até 42% mais produtividade por permitir mais árvores por hectare

A nova estrela no universo dos abacates chama-se Maluma, uma cultivar desenvolvida pela empresa sul-africana Allesbeste.
Descrita como um “super hass”, a variedade vem ganhando espaço em pomares comerciais e surpreendendo produtores graças à combinação de produtividade, menor porte das árvores e facilidade de manejo.
Anualmente, a empresa vende cerca de 900 mil mudas da variedade apenas na África do Sul, convencendo alguns produtores do país a adotá-la em lugar do até então queridinho hass.
É o caso, por exemplo, da ZZ2, um dos maiores grupos frutícolas sul-africanos, que já ocupa 40% de sua área de avocados com o Maluma.
Segundo Zander Ernst, diretor da Allesbeste, a variedade surgiu de programas de melhoramento e seleção genética voltados a atender as demandas de um mercado em expansão, mas com desafios como custos elevados de produção.
“Acreditamos que, para realmente mudar a indústria, é preciso investir em novas cultivares e em tecnologias que ampliem a eficiência dos pomares”, comenta.

Mais frutas por hectare
Entre as principais características da Maluma está o fato de ser uma variedade semienanizante, que permite mais árvores na mesma área, sem perda de produtividade, pelo contrário.
“Nosso objetivo é buscar uma densidade maior, de 1.250 árvores por hectare, para obter uniformidade e antecipar os picos de produção”, explica Ernst.
Outro destaque, segundo a Allesbeste, é o comportamento precoce em relação à produção.
A Maluma tende a gerar mais frutos nos primeiros anos de implantação do pomar, característica confirmada em experimentos de treliçamento (trellising) nos quais a produtividade acumulada superou em até 42% a média alcançada por variedades convencionais.
“Acreditamos que essa precocidade aumenta a viabilidade financeira do pomar, já que reduz o período até o retorno do investimento”, pontua o diretor.
A adaptação a sistemas de maior densidade também deve trazer benefícios imediatos aos produtores, pois acelera o fechamento das copas e, consequentemente, antecipa a colheita.
Para a Allesbeste, isso se traduz em ganhos de escala e melhores margens econômicas. “À medida que a Maluma atinge maior uniformidade, conseguimos controlar mais variáveis e reduzir falhas de produção”, diz Ernst.

Resistente
Mesmo em condições climáticas adversas, a Maluma tem demonstrado resiliência. Em um caso específico, a cultivar floresceu fora de época, resultando em colheita tardia e, ao mesmo tempo, em um pico adicional de produtividade.
Ernst destaca, no entanto, que essas situações dependem do manejo adotado e da instabilidade climática: “Nem sempre veremos esse comportamento, mas quando ocorre, o potencial é muito interessante”.
Para garantir que cada muda chegue ao produtor com qualidade e uniformidade, a Allesbeste aposta na clonagem em viveiro. Esse método assegura raízes vigorosas e reduz o risco de plantas mal formadas, um fator crítico para o bom desempenho do pomar.
“Um único exemplar com baixa produtividade já prejudica o rendimento geral, então todo cuidado na fase inicial é essencial”, afirma o diretor.

A empresa enxerga nesse processo de introdução de novas variedades como a Maluma um verdadeiro “paradigm shift” para a cultura do abacate, comparável ao que ocorreu com maçãs e cítricos em períodos de forte modernização.
Ernst reforça que, além de genética, são necessárias boas práticas de manejo e ferramentas de monitoramento de dados para elevar o padrão produtivo do setor. “Só romperemos o status quo se aliarmos ciência, tecnologia e novos modelos de plantio”, diz.
Avanço pelo mundo
Em termos de expansão global, a Allesbeste já exporta mudas para vários países, apesar de restrições fitossanitárias e exigências alfandegárias. O foco está em mercados rigorosos, que exigem material de alta qualidade e procedimentos de quarentena.
“Alguns lugares, como os Estados Unidos e a Austrália, têm barreiras grandes, mas buscamos soluções como cultura de tecidos e novos protocolos de clonagem para vencer essas dificuldades”, comenta Ernst.
O futuro da variedade, segundo Ernst, passa por uma consolidação global, onde cada vez mais países conhecerão as vantagens de cultivar a Maluma.
“Temos desafios técnicos e burocráticos pela frente, mas acreditamos que a resposta do mercado será positiva. O consumidor quer qualidade, e o produtor precisa de segurança produtiva — e o Maluma pode conciliar esses dois fatores.”
Sustentabilidade
No campo da sustentabilidade, a empresa tem se mostrado atenta às demandas de consumidores e órgãos reguladores, ao mesmo tempo em que apoia os produtores na adaptação da Maluma aos distintos tipos de solo e clima.
“Nosso desafio é alinhar densidade de plantio, nutrição, irrigação e controle de pragas para obter pomares bem equilibrados. Dessa forma, asseguramos maior estabilidade produtiva no longo prazo”, afirma o diretor da Allesbeste.
A Allesbeste acredita que, ao oferecer assistência técnica e consultoria, pode orientar agricultores que optam pela Maluma, evitando erros comuns e garantindo resultados mais rápidos. Para Ernst, esse suporte é crucial.

“Não basta vender a muda; é preciso orientar sobre adubação, poda e condução. Só assim o produtor extrairá todo o potencial da variedade”.
Mercado bilionário
A produção mundial de abacates—majoritariamente da variedade hass—supera 8 milhões de toneladas anuais, movimentando um mercado estimado em mais de US$ 15 bilhões, segundo dados da FAO.
O México lidera como principal produtor e exportador, responsável por cerca de 2,5 milhões de toneladas e exportações que já ultrapassam US$ 2,8 bilhões.
Peru, Chile e Colômbia também têm expandido suas remessas rumo a mercados da América do Norte, Europa e Ásia, contribuindo para o crescimento do comércio global.
No Brasil, a safra total de abacates ultrapassa 1 milhão de toneladas, com a variedade hass ganhando destaque e abrindo espaço para exportações mais significativas.
