Com desconto no pedágio, consórcio vence leilão para Rota da Celulose

    Concessão de 870 km prevê R$ 10,1 bilhões em obras para escoar produção do Mato Grosso do Sul

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    O impacto direto da concessão inclui a geração de 1,5 mil empregos durante as obras. (Foto:Saul-Schramm)

    O impacto direto da concessão inclui a geração de 1,5 mil empregos durante as obras. (Foto:Saul-Schramm)

    09deMaiode2025ás10:44

    O Consórcio K&G Rota da Celulose venceu, nesta quarta-feira (8), o leilão da concessão da Rota da Celulose, realizado na sede da B3, em São Paulo, ao oferecer um desconto de 9% sobre a tarifa de pedágio. O grupo também deverá aportar R$ 217,3 milhões.

    A disputa contou com quatro concorrentes. Além da K&G, participaram os consórcios Rotas do Brasil, Caminhos da Celulose e BTG Pactual Infraestrutura III.

    A concessão inclui trechos das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267. A empresa vencedora será responsável por operar, recuperar, conservar e ampliar a malha concedida  — que soma 870,3 km — durante um período de 30 anos. 

    Segundo o governo, as BRs 262 e 267 são estratégicas por interligarem Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. O edital prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos, com expectativa de antecipação de obras e melhorias logísticas na região.

    O impacto direto da concessão inclui a geração de 1,5 mil empregos durante as obras, além da construção de anéis viários e duplicações de trechos, com potencial para aumentar a competitividade regional.

    RotaCelulose

    Concessão prevê melhorias e estrutura de atendimento

    Para garantir segurança e eficiência aos usuários, a concessionária deverá implantar veículos de inspeção que circularão continuamente nos trechos concedidos. Esses veículos irão monitorar as condições das vias, prestar auxílio em ocorrências e acionar os recursos necessários. 

    O apoio contará com 13 guinchos para socorro mecânico, 13 ambulâncias de atendimento médico, cinco caminhões-pipa para combate a incêndios, cinco caminhões adaptados para apreensão de animais e desobstrução das pistas, além de 13 pontos de atendimento com estacionamento, sanitários, telefones e áreas de descanso. 

    Após a publicação oficial do resultado, a empresa terá 60 dias para assinar o contrato com o Governo do Estado. Em seguida, será realizada vistoria, arrolamento e assunção dos bens. A transição autoriza o início das operações. 

    A fiscalização das obras e das obrigações contratuais caberá à Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems).

    Governo prevê mais leilões em 2025

    Com o leilão da Rota da Celulose, o Ministério dos Transportes soma três certames realizados em 2025, dos 15 previstos até o final do ano. Já foram leiloadas a BR-364 — vencida pelo consórcio 4UM Investimentos e Opportunity — e o sistema rodoviário das BRs 040/MG/RJ e 495/RJ, arrematado pelo Consórcio Nova Estrada Real. 

    “O projeto foi amplamente discutido nos últimos dois anos. A partir de agora, o consórcio vencedor será parceiro para executar exatamente o que foi planejado”, declarou o governador Eduardo Riedel (PSDB), durante o evento.

    leilao_rotaCelulose

    Riedel também elogiou a parceria com o Governo Federal, que delegou ao Estado a responsabilidade pelas rodovias BR-262 e BR-267. “Esta concessão vai alavancar o desenvolvimento do nosso Estado. Demonstra que Mato Grosso do Sul tem grandes oportunidades em diversos setores da economia”, afirmou.

    Vale da Celulose se consolida com nova lei e expansão industrial

    No mesmo dia do leilão, o governador sancionou a Lei nº 6.404, que oficializa a denominação “Vale da Celulose” para os municípios impulsionados pela cadeia florestal no Estado.

    A proposta, de autoria do deputado estadual Pedro Caravina, reconhece a relevância estratégica do setor para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. 

    O território abrange os municípios de Água Clara, Aparecida do Taboado, Bataguassu, Brasilândia, Cassilândia, Inocência, Nova Alvorada do Sul, Paranaíba, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas — todos com forte presença de empreendimentos ligados à celulose e à infraestrutura.

    "Esses nove municípios concentram 87% da produção de celulose no Estado. O Vale da Celulose já é uma referência nacional e internacional em produtividade e inovação”, afirmou o secretário Jaime Verruck, da Semadesc.

    Entre 2010 e 2024, a área de florestas plantadas no Estado cresceu 471%, passando de 341 mil hectares para 1,6 milhão, com predomínio de eucalipto.

    Mato Grosso do Sul é o segundo maior produtor de madeira em tora para papel e celulose do país, com 24% da produção nacional, e abriga o maior parque industrial de base florestal do Brasil — são 30 indústrias ativas e mais de 7 mil trabalhadores.

    O setor florestal representa 17,8% do PIB industrial sul-mato-grossense e gera cerca de 27 mil empregos diretos e indiretos. Em 2023, as exportações de produtos florestais superaram US$ 1,49 bilhão, com destaque para a China, que responde por mais de 50% das compras. 

    Desde 2015, o governo estadual atraiu R$ 125 bilhões em investimentos, sendo R$ 65 bilhões apenas na atual gestão.

    O mais recente é da Bracell: R$ 16 bilhões para uma nova fábrica em Bataguassu, que poderá operar com celulose kraft — usada em papéis e embalagens — e celulose solúvel, matéria-prima de fibras têxteis sustentáveis como viscose, modal e lyocell.

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