China abre mercado para DDG brasileiro e outros quatro produtos
Expectativa do governo brasileiro é assinar até 16 acordos bilaterais com Pequim

A China oficializou nesta terça-feira (dia 13) a abertura de novos mercado para cinco produtos agropecuários brasileiros, entre eles o DDG (do inglês, Grãos Secos de Destilaria), miúdos de aves, carnes de pato e peru e farelo de amendoim.
No caso do DDG, a expectativa de abertura do mercado já existia há meses e traz novo impulso à crescente indústria de coprodutos do grão, que inclui também o etanol de milho. O insumo é usado para nutrição animal devido ao seu alto valor proteico.
Além do DDG, a China também habilitou a entrada do farelo de amendoim brasileiro, outro produto com potencial para ampliar o portfólio de exportações de proteínas vegetais ao mercado asiático.
A assinatura dos protocolos ocorreu em cerimônia com a presença do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Pelo lado chinês, o acordo foi firmado pela ministra Sun Meijun, da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC).
Outra notícia positiva veio com a inclusão de novos produtos cárneos na pauta exportadora. A China passou a autorizar a importação de miúdos de aves, carne de pato e carne de peru do Brasil.
O país já é o maior importador de aves do Brasil.
O protocolo assinado estabelece regras de inspeção, quarentena e segurança alimentar, e amplia as oportunidades para a indústria avícola nacional em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Novo impulso ao etanol de milho
A inclusão do DDG e de outros produtos nas listas de acesso ao mercado chinês deve ajudar a consolidar ainda o comércio entre os dois países.
O etanol de milho, por exemplo, já responde por mais de 20% da produção nacional de etanol.
Desde 2016/2017, o etanol de milho saiu praticamente do zero para abocanhar 20% do gigantesco mercado brasileiro de biocombustíveis ao somar soluções a ambos desafios e, ainda, ser produto estratégico para as principais regiões agrícolas do país.

“O mundo já consome 117 bilhões de litros de etanol ao ano e chegará a 300 bilhões até 2030, seja para veículos como também aviões com os SAF e embarcações, além da crescente demanda por proteína animal entre outros itens”, aponta Guilherme Nolasco, presidente da UNEM, que fez parte da delegação brasileira.
As usinas de etanol de milho também produzem DDG.
“Por isso, investir também no mercado de DDG/DDGS é ter uma visão de investimento. Não tínhamos cadeia produtiva, mas hoje temos. Acreditamos que o DDG possa representar até 25% do negócio das usinas”, finaliza.
Assim, o DDG/DDGS é mais uma vantagem competitiva para consolidar o Brasil como maior potência dos biocombustíveis e também ampliar sua liderança global no fornecimento de proteína e nutrição animal.
Segundo Guilherme, o concentrado já tem um mercado global em países como China, Vietnã, Espanha, Nova Zelândia, Japão e outros.
O Brasil produziu cerca de 4 milhões de toneladas e exportou cerca de 800 mil toneladas de DDG em 2024.
A expectativa do setor é que, com o novo protocolo, o DDG brasileiro conquiste rapidamente espaço em um mercado que importa cerca de 10 milhões de toneladas de insumos proteicos por ano para nutrição animal, segundo estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
“O DDG/DDGS é estratégico como alternativa de nutrição de gado, aves, suínos, peixes e PETs, seja para intensificação da produção animal e conversão de áreas degradadas, como para valorização de coprodutos do milho”, argumenta.
Lula a Xi Jinping
Durante o encontro em Pequim, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping participaram da cerimônia de assinatura de uma série de memorandos de entendimento, incluindo iniciativas voltadas à cooperação em biotecnologia, inteligência artificial no campo e sustentabilidade energética, com foco na cadeia do etanol.
Em seu discurso, Lula destacou a importância do multilateralismo e criticou as medidas protecionistas no comércio internacional.
“Guerras comerciais não têm vencedores. Elas elevam preços, deprimem as economias e corroem a renda dos mais vulneráveis. Defendemos um comércio justo e baseado nas regras da OMC”, afirmou.
Segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), a China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 30% do total embarcado pelo setor.
