Câmara derruba MP do IOF que previa taxar LCA e LCI

    Texto perde validade após impasse político e mantém benefícios fiscais em investimentos do crédito rural e imobiliário

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    Câmara derruba MP do IOF que previa taxar LCA e LCI
    09deOutubrode2025ás09:13

    A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), o pedido de retirada de pauta da Medida Provisória (MP) 1303/2025, que previa a taxação de rendimentos de aplicações financeiras e apostas esportivas.

    A proposta compensaria a revogação de um decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

    Com a decisão, a MP perdeu a validade.

    A  retirada da pauta preserva a isenção das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) — instrumento essencial de financiamento do setor rural — e das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), após forte pressão de produtores e representantes do mercado financeiro.

    Foram 251 votos favoráveis e 193 contrários ao pedido apresentado pela oposição.

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    Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou o cumprimento do acordo firmado com o Congresso Nacional para aprovação da medida. Ele afirmou que o  governo manteve diálogo com os parlamentares e fez concessões, mas enfrentou resistência de partidos do centrão.

    O relator da MP, Carlos Zarattini (PT-SP), também defendeu o texto.

    “Trabalhamos nesses 120 dias para garantir a aprovação da MP. Avançamos em alguns pontos, atendemos muitas reivindicações e fizemos um texto que teria todas as condições de ser aprovado nessa Casa e sancionado pelo presidente da República, um texto de consenso”, disse.

    Entenda o que previa a MP do IOF

    A versão original da medida propunha a taxação de bilionários, bancos e casas de apostas (“bets”), além de aplicações financeiras como LCA, LCI, LCD e juros sobre capital próprio, com o objetivo de reforçar a arrecadação federal.

     IOF_camara

    A estimativa inicial era de R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 21 bilhões em 2026. Após negociações, o valor caiu para cerca de R$ 17 bilhões, destinados a ajudar o governo a cumprir a meta de superávit de R$ 34,3 bilhões prevista no Orçamento de 2026.

    O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, classificou a retirada da MP como um ato de sabotagem:

    “Consideramos o que está acontecendo aqui hoje um ato de sabotagem contra o Brasil. (...) Ficou claro que a intenção era impor uma derrota política, não ao presidente Lula, mas ao país.”

    Segundo ele, o movimento foi articulado por líderes de oposição, incluindo Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

    Com a não aprovação, o governo deve promover novo bloqueio nas despesas de 2025, incluindo emendas parlamentares. A perda estimada de arrecadação é de R$ 35 bilhões em 2026. 

    Lula reage à derrota no Congresso

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão do plenário da Câmara. Em postagem nas redes sociais, disse que a rejeição da MP representa uma derrota ao país. 

    “Essa medida corrigia injustiças ao cobrar a parte justa de quem ganha e lucra mais. Impedir essa correção é votar contra o equilíbrio das contas públicas e contra a justiça tributária”, afirmou.

    FPA e bancada ruralista comemoram

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) comemorou o arquivamento da medida. O presidente da bancada, Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que não há justificativa para novos impostos e destacou o papel do Congresso na rejeição da proposta.

    “A MP já devia ter sido recolhida há muito tempo. Sempre fomos contrários e seguiremos contra qualquer aumento de impostos para o cidadão. O agro e o Brasil mostraram sua força mais uma vez no caminho por um país mais justo.”

     O coordenador institucional da FPA, Alceu Moreira (MDB-RS), reforçou. 

    “O governo dá com uma mão e tira com a outra. Enquanto tenta arrecadar R$ 20 bilhões com essa MP, deixa de arrecadar R$ 100 bilhões em mercados irregulares e sem fiscalização.” 

    Cenário fiscal e próximos passos 

    Com a MP fora da pauta, o governo precisará buscar novas alternativas para recompor a arrecadação e cumprir as metas fiscais de 2026. A decisão amplia a tensão entre o Planalto e o Congresso, que resiste a qualquer ampliação da carga tributária em ano pré-eleitoral.

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