Rede chinesa, maior que o McDonald's, vai investir R$ 3,2 bilhões em frutas no Brasil
Acordo prevê importação de polpas e abre espaço para avanço das exportações brasileiras.
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Considerada a maior rede de sucos e sorvetes do mundo, com mais de 45 mil lojas em operação, a gigante chinesa Mixue anunciou um investimento de R$ 3,2 bilhões no Brasil.
A previsão é gerar 25 mil empregos até 2030. A chegada da empresa ao país representa uma aposta estratégica no setor de frutas, especialmente com o início da importação de polpas brasileiras.
A iniciativa integra um pacote de R$ 27 bilhões em investimentos chineses, articulados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, entre 12 e 14 de maio. A articulação contou com apoio direto da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
“Aproveitando a vinda do presidente Lula à China, firmamos um acordo com a Mixue. A rede tem 45 mil lojas espalhadas pelo país, é uma das maiores do mundo, maior até que o McDonald’s. E agora, a partir desse acordo, vão começar a importar polpa de fruta do Brasil inteiro. Essa parceria vai movimentar o mercado de frutas brasileiro”, afirmou Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.
O acordo com a ApexBrasil dará início à importação de polpas de frutas tropicais brasileiras, com destaque para produtos originários do Nordeste e da Amazônia.
“Estamos vendendo o sabor Brasil para a China”, destacou Viana. “Mais do que vender um produto, estamos levando a diversidade regional. O Nordeste tem frutas incríveis e o Norte tem joias como o açaí. É isso que queremos: mais investimentos no Brasil e mais negócios com o nosso maior parceiro comercial.”

Abrafrutas firma memorando com Câmara de Comércio da China
A movimentação no setor frutícola ganhou ainda mais força com a assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU) entre a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Produtos Alimentícios, Produtos Nativos e Derivados Animais (CFNA).
O acordo visa fortalecer a cooperação bilateral no comércio de frutas, promover práticas sustentáveis e ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado chinês.
“O Brasil é hoje um dos maiores produtores de frutas do mundo, com uma diversidade única que inclui melão, manga, uva, limão, avocado, entre tantas outras”, ressaltou Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas.
A entidade, com apoio da ApexBrasil, também coordena o projeto setorial Frutas do Brasil, voltado à internacionalização da fruticultura.
Em 2024, o país exportou mais de 1 milhão de toneladas de frutas, com receita de US$ 1,287 bilhão — crescimento de quase 4% em valor na comparação com 2023.
História de sucesso: da raspadinha à expansão global
Fundada em 1997 por Zhang Hongchao, então um universitário de 21 anos, a Mixue começou como uma barraca de raspadinhas. Hoje, é uma potência global no segmento de fast-food, vendendo sorvetes, chás gelados, milkshakes e bebidas à base de frutas.

O segredo do sucesso da rede está em seu modelo de negócios: produção própria de matéria-prima, controle logístico e preços baixos. Desde 2007, a Mixue investe em fábricas próprias, centros de distribuição e logística — já são 26 armazéns na China, cobrindo 90% das lojas.
Com isso, a marca oferece produtos a preços extremamente competitivos, atraindo principalmente o público jovem.
Além disso, adota um modelo de franquias em que os franqueados compram insumos e equipamentos diretamente da empresa, o que facilita a expansão acelerada sem comprometer a qualidade.
A chegada da Mixue ao Brasil não só representa um novo capítulo para a empresa, mas também uma janela de oportunidades para o agronegócio nacional, especialmente o setor de frutas, que vê na China um mercado com enorme potencial de crescimento.