Mapa investiga nova suspeita em granja comercial e pede R$ 135 mi para reforçar sistema sanitário
Caso sob suspeita fica em Teutônia, a 50 km do foco confirmado em Montenegro (RS)
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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) investiga um novo caso suspeito de gripe aviária (H5N1) em granja comercial no Rio Grande do Sul.
A suspeita envolve um estabelecimento em Teutônia, cidade situada a cerca de 50 km de Montenegro — onde foi confirmado o único caso da doença em estabelecimento comercial no país, no dia 16 de maio.
Segundo o diretor substituto do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Bruno Cotta ao G1, “foram identificados alguns animais que chegaram ao abatedouro com sintomas. A amostra foi colhida, encaminhada ao laboratório, e vamos aguardar o resultado”.
Na manhã desta quarta-feira (4), a Coordenação do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa solicitou informações detalhadas sobre o frigorífico e a quantidade de produtos em estoque. Auditores da pasta devem emitir um termo de apreensão cautelar do material processado.
Apesar da nova suspeita, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, afirmou nesta quarta-feira (4) que o caso não inspira preocupação.
“Não há morte generalizada, o que nos dá uma tranquilidade de que será negativo”, disse. Segundo ele, todos os testes já foram realizados, e o local segue monitorado.
Oito casos em investigação não envolvem granjas comerciais
Apesar da nova suspeita em Teutônia, o Mapa reforça que, oficialmente, oito casos seguem em investigação no Brasil — todos envolvendo aves silvestres ou de criação doméstica de subsistência. Nenhuma granja comercial está sob suspeita no momento.
Casos em investigação:
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Rurópolis (PA) – Garibaldi, animal silvestre
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Macapá (AP) – Galinha, criação doméstica
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Quixeramobim (CE) – Galinha e pato, criação doméstica
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Itajuípe (BA) – Galinha, criação doméstica
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Itatiaiuçu (MG) – Galinha, criação doméstica
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Novo Cruzeiro (MG) – Galinha, criação doméstica
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Santo Antônio do Monte (MG) – Pombo, animal silvestre
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Westfalia (RS) – Galinha, criação doméstica
O caso anterior sob suspeita em uma granja comercial em Anta Gorda (RS) foi descartado após exame negativo para o vírus H5N1.
Mapa solicita R$ 135 milhões para reforçar sistema de resposta
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou que encaminhará à Casa Civil uma proposta de Medida Provisória para garantir R$ 135 milhões em recursos destinados ao enfrentamento de emergências sanitárias.
Os valores serão aplicados tanto em ações de contenção de doenças animais quanto vegetais, incluindo surtos em lavouras de cacau, carambola e mandioca.

O orçamento do ministério sofreu contingenciamento de 53%, o que tornou a medida necessária. Além da MP, dois projetos de lei estão sendo preparados:
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Um para a criação de um fundo nacional de emergência sanitária, garantindo recursos imediatos em momentos de crise;
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Outro para autorizar o pagamento de horas extras a fiscais agropecuários, atualmente compensadas apenas com folgas.
“Isso dá tranquilidade ao setor. Os textos estão sendo revisados pela Casa Civil para evitar vício de iniciativa”, explicou o ministro.
Fávaro: sistema sanitário brasileiro se mostrou robusto
Segundo o ministro, se nenhum novo caso for confirmado até 18 de junho, o Brasil poderá se declarar livre da gripe aviária em granjas comerciais. O prazo corresponde aos 28 dias do chamado “vazio sanitário”, iniciado após a desinfecção da unidade em Montenegro.
“Estamos na metade desse processo, sem outros focos. Nossa expectativa é encerrar o período com segurança e reduzir as restrições internacionais”, disse.
Fávaro destacou que a contenção do vírus em Montenegro comprova a eficiência do sistema sanitário nacional.
“Essa crise mostrou ao mundo a robustez do nosso sistema. Claro que não queríamos um caso em granja, mas o fato de não ter se espalhado é prova cabal de eficiência.”
Caso em Zoológico do DF não altera status
Também segue em monitoramento o caso de gripe aviária confirmado em um irerê (pato silvestre) encontrado morto no Zoológico de Brasília. O animal não fazia parte do plantel. Outro pássaro, um pombo, também foi recolhido sem confirmação de infecção.
Segundo Fávaro, como os casos são de aves silvestres, não implicam em restrições comerciais.
“Já tivemos 168 registros assim no país e nenhum resultou em embargo. Não há protocolo internacional prevendo sanção para esse tipo de ocorrência.”
O zoológico segue interditado preventivamente até 12 de junho.
Setor avícola segue em alerta
Fávaro reforçou o alerta aos produtores. “Esses casos servem de lição. Os criadouros e granjas devem manter vigilância máxima.”
Atualmente, 21 países impuseram bloqueio total à carne de frango brasileira; 14 restringem produtos oriundos do Rio Grande do Sul, e quatro suspenderam importações de Montenegro.
Segundo o ministro, as restrições já provocaram uma queda média de 7% nos preços da carne de frango no mercado interno.