Fávaro negocia mais linhas dolarizadas para Plano Safra no Banco Central
Ministro busca apoio de Gabriel Galípolo para ampliar crédito externo e modernizar seguro rural
Por |
Com foco na construção de um Plano Safra mais eficiente e ajustado à nova realidade do crédito rural, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniu nesta quarta-feira (11) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O encontro, realizado em Brasília, discutiu a ampliação das linhas de crédito dolarizadas, além de mudanças estruturais nos programas de gestão de riscos climáticos, como o Proagro e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Uma das prioridades da equipe técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) é buscar alternativas viáveis para equalizar os recursos públicos destinados ao setor agropecuário, otimizando o uso de verbas e atraindo capital privado.
Ver esta publicação no Instagram
Segundo Fávaro, a proposta é ampliar o acesso a linhas dolarizadas de custeio, que atualmente contam com juros mais baixos e são voltadas a produtores com hedge natural — ou seja, que exportam e estão menos expostos à variação cambial.
“Hoje temos a capacidade de captar recursos internacionais a juros muito mais baratos. Há dois anos, achávamos impossível lançar linhas de crédito e investimentos dolarizadas, que hoje fornecem recursos aos produtores da ordem de 8,5% ao ano. Com uma Selic de 15%, é quase a metade da taxa de juros”, afirmou Fávaro, em declaração ao Globo Rural.
As linhas dolarizadas, já ofertadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos, são vistas como uma saída estratégica diante dos juros elevados no mercado interno. Para o ministro, é fundamental destravar também o acesso a esse tipo de financiamento para o custeio da produção.
“É proibitivo de fazer investimento com a atual taxa Selic, mas nós não podemos ficar só reclamando. Temos que trazer alternativas”, acrescentou.
Proagro na mira
Outro ponto debatido entre Fávaro e Galípolo foi a reformulação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), atualmente sob responsabilidade do Banco Central.
De acordo com o Agro Estadão, o ministro quer redirecionar parte dos recursos do Proagro para o PSR, considerado mais eficiente na gestão de riscos climáticos.
“Fica nas costas do Banco Central o Proagro, que custou, há dois anos, R$ 10 bilhões aos cofres públicos. No ano passado, R$ 7 bilhões. E o seguro rural tem, de subvenção, menos de R$ 1 bilhão. Está desproporcional. Um gasta muito e dá pouco efeito, outro gasta pouco, com pouco efeito. No final de contas, vamos modernizar ou não vamos?”, questionou o ministro.
A proposta inclui ainda a ampliação de opções de seguro mais atrativas para um maior número de produtores, com apoio técnico das equipes do Banco Central e do Mapa.
Garantias e transição verde
Além do crédito e dos seguros, a reunião tratou de mecanismos de garantia para financiamentos e do programa Caminho Verde Brasil, voltado à recuperação de pastagens degradadas.
A intenção é expandir o alcance do programa e integrá-lo de forma mais consistente às políticas de transição ecológica no setor agropecuário.
Participaram da reunião o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos; o secretário-adjunto Wilson Vaz; e o assessor especial do ministro, Carlos Ernesto Augustin.