BNDES bloqueia R$ 806 milhões em crédito rural por desmatamento ilegal

    Banco cruza dados com satélites do MapBiomas e impede financiamentos a produtores com alertas ativos

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    BNDES bloqueia R$ 806 milhões em crédito rural por desmatamento ilegal
    05deJunhode2025ás16:16

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deixou de contratar R$ 806,3 milhões em financiamentos rurais desde fevereiro de 2023, por indícios de desmatamento ilegal nas propriedades envolvidas.

    A medida faz parte de uma estratégia de monitoramento ambiental em parceria com o MapBiomas, que utiliza imagens de satélite para identificar áreas com irregularidades.

    O balanço, divulgado nesta quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, mostra que o volume de crédito rural evitado equivale a quase R$ 1 milhão por dia — totalizando 3.723 alertas ativos no período, o que representa 1% das 337,2 mil solicitações analisadas.

    Segundo o BNDES, o cruzamento automatizado de dados do MapBiomas com o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) permite identificar indícios de desmatamento recente com precisão. Com base nesses alertas, o banco evita a concessão de crédito a propriedades rurais com passivos ambientais não regularizados.

    A ferramenta também possibilita o monitoramento contínuo de operações já contratadas, permitindo a suspensão de repasses em caso de infrações ambientais detectadas após a liberação inicial.

    “Nós somos parceiros do agronegócio, mas não do desmatamento. Acreditamos numa agropecuária sustentável, com inovação e compromisso ambiental. O tempo do crédito para quem desmata já passou”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

    Somente em abril de 2025, o banco bloqueou quase R$ 25 milhões em operações rurais devido a alertas ambientais.

    Regiões com maior incidência

    A região Norte concentrou o maior percentual de financiamentos evitados: 2,2% dos R$ 4,3 bilhões solicitados. Os alertas de desmatamento ilegal atingiram 2,5% das cerca de 7,2 mil propostas.

    O Nordeste teve a maior taxa de alertas (2,8%) e o segundo maior percentual de crédito bloqueado (1,6% de R$ 5,95 bilhões).

    No Centro-Oeste, foram bloqueados 0,8% dos R$ 20,1 bilhões pedidos, enquanto os alertas atingiram 1% dos 22,3 mil requerimentos. O Sul apresentou 0,9% dos R$ 42,3 bilhões evitados e 1,1% de alertas nas mais de 252 mil solicitações.

    O Sudeste registrou os melhores indicadores: apenas 0,4% dos R$ 15,4 bilhões em crédito rural foram vetados, com 0,3% de alertas sobre as 46,3 mil solicitações.

    No recorte estadual, o Amazonas liderou com 12,64% dos financiamentos bloqueados entre os quase R$ 13 milhões pedidos e 6,25% das solicitações com alerta.

    Entre os dez estados com maiores percentuais de crédito evitado, quatro são da região Norte (Amazonas, Tocantins, Acre e Rondônia) e seis do Nordeste (Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Ceará). Apenas o Distrito Federal e o Amapá não registraram alertas — reflexo do baixo número de pedidos.

    Regras mais rígidas que o Banco Central

    O BNDES adota critérios mais severos que os exigidos pelo Manual de Crédito Rural (MCR), do Banco Central. Enquanto o MCR veta financiamento apenas em propriedades diretamente embargadas, o BNDES bloqueia recursos se o produtor tiver qualquer embargo ambiental, mesmo que em outra área.

    Caso um embargo seja registrado após a concessão do crédito, os repasses são suspensos até que o produtor apresente documentação de regularização.

    Se o processo não for concluído em até 12 meses, o contrato é liquidado antecipadamente. O mesmo ocorre se forem descumpridas medidas pactuadas com o órgão ambiental — neste caso, o prazo para liquidação é de 30 dias.

    Alcance nacional via rede parceira

    Os financiamentos rurais do BNDES chegam a 95% dos municípios brasileiros, operados por uma rede com cerca de 70 instituições financeiras credenciadas.

    O objetivo, segundo o banco, é conciliar apoio à produção agropecuária com responsabilidade ambiental, evitando que recursos públicos financiem práticas ilegais.

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