Livre em granjas comerciais, Brasil ainda investiga 13 suspeitas de gripe aviária
Alguns países começam a flexibilizar embargos à carne de frango brasileira

O Brasil se declarou oficialmente livre da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em granjas comerciais após cumprir os 28 dias de vazio sanitário previstos nos protocolos internacionais.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira (18) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que já notificou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) sobre a conclusão do processo.
O vazio sanitário teve início em 22 de maio, após a desinfecção da granja em Montenegro (RS), onde foi registrado, no dia 16 daquele mês, o único foco da doença em criação comercial no país.
Mesmo com o encerramento do vazio sanitário e a retomada do status sanitário livre da IAAP, o Brasil ainda investiga 13 casos suspeitos da doença. Todos envolvem aves de subsistência ou silvestres — nenhuma granja comercial está sob análise.
Confira os casos em investigação:
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Alto Alegre (RR) – Galinha, doméstica
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Garrafão do Norte (PA) – Galinha, ganso-chinês, galinha-d'angola e pato, doméstica
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Parauapebas (PA) – Galinha, doméstica
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Palmeirina (PE) – Galinha, doméstica
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Morro do Chapéu (BA) – Biguá, silvestre
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Novo Cruzeiro (MG) – Galinha, doméstica
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Sacramento (MG) – Galinha, doméstica
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São Joaquim de Bicas (MG) – Galinha, doméstica
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Jaboticabal (SP) – Marreca-cabocla, silvestre
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Lençóis Paulista (SP) – Pombo, silvestre
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Poá (SP) – Pato-do-mato, silvestre
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General Carneiro (MT) – Galinha, doméstica
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Nova Aurora (GO) – Galinha, doméstica

Exportações começam a ser liberadas
A conclusão das ações sanitárias abre caminho para a retomada das exportações de produtos avícolas. A África do Sul foi um dos primeiros países a flexibilizar os embargos, liberando a importação de frango brasileiro — com exceção do Rio Grande do Sul. Em 2024, os sul-africanos importaram 325 mil toneladas do produto.
México e Rússia também haviam adotado medidas de regionalização, restringindo as suspensões ao território gaúcho. A expectativa do setor é que outros mercados sigam o mesmo caminho.
Segundo o Ministério da Agricultura, países que impuseram restrições já estão sendo notificados oficialmente para reavaliar os embargos.
Caso no MT é encerrado
Em Mato Grosso, o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) finalizou o controle sanitário em Campinápolis, onde foi identificado um foco da doença em criação de subsistência.
Após o abate de 600 aves, destruição de 229 ovos e desinfecção da área, a propriedade entrou em período de vazio sanitário de 45 dias.
“Nosso trabalho envolveu não somente a eliminação das aves do foco e a desinfecção total do local, seguindo os protocolos sanitários. Atuamos também na educação sanitária, promovendo palestras em escolas, orientando produtores e a comunidade local sobre prevenção e biosseguridade”, afirmou João Marcelo Néspoli, coordenador de Defesa Sanitária do Indea.

Segundo Daniella Bueno, coordenadora das atividades de campo, uma barreira sanitária foi instalada, e mais de 145 propriedades foram monitoradas em um raio de até 15 km. “A operação contou com oito equipes de vigilância”, detalhou.
Também na quarta-feira (18), o governo de Goiás finalizou o controle emergencial em 194 propriedades no município de Santo Antônio da Barra, após caso de IAAP em aves de subsistência. Foram desinfectados 22 mil m² e orientadas 1,5 mil pessoas.
Setor avícola pressiona por retomada total
Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, a autodeclaração feita pelo Brasil representa um passo decisivo.
“Estamos confiantes no rápido restabelecimento da normalidade no fluxo dos embarques e no reforço de nosso papel em prol da segurança alimentar global”.
A Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O.A/RS) também pede apoio do governo federal para acelerar a retomada das exportações. Segundo José Eduardo dos Santos, presidente executivo da entidade, é fundamental uma articulação diplomática firme.
“Solicitamos aos órgãos oficiais e seus dirigentes que conduzam uma negociação assertiva, baseada nas ações sanitárias eficazes realizadas no Rio Grande do Sul”.
O setor destaca que 39 países ainda mantêm embargos ao estado e cobra reconhecimento internacional da resposta técnica eficiente. A utilização da Plataforma de Defesa Sanitária Animal (PDSA) e o trabalho conjunto entre os serviços veterinários estaduais e federais foram considerados fundamentais para conter a disseminação do vírus.
