OMSA reconhece Brasil livre da gripe aviária e setor projeta retomada das exportações
País confirma caso em Jaboticabal (SP) e ainda investiga outros 11 suspeitos em aves não comerciais
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A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) oficializou nesta sexta-feira (20) a autodeclaração do Brasil como país livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em plantéis comerciais.
A confirmação veio após a análise e validação de todos os protocolos sanitários adotados pelo governo brasileiro, incluindo a desinfecção da granja afetada e o cumprimento do período de vazio sanitário de 28 dias, correspondente a dois ciclos do vírus.
Com a medida, os 183 países membros da OMSA passam a ter ciência formal de que o Brasil voltou a atender integralmente às exigências internacionais.
O reconhecimento deve contribuir para a reabertura gradual de mercados que haviam imposto restrições à carne de frango brasileira após o surto em uma granja de Montenegro (RS), em maio deste ano.
Setor celebra decisão e aposta na retomada das exportações
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) classificou a oficialização como um passo essencial para acelerar as negociações comerciais com os países que ainda mantêm embargos.
“A autodeclaração restabelece o nosso status sanitário. No momento em que dezenas de nações, incluindo todas as grandes produtoras de aves, enfrentam problemas e ocorrências em suas respectivas produções, nós superamos a única ocorrência de toda a história da avicultura que é a maior exportadora e segunda maior produtora mundial de carne de frango. Estamos confiantes no rápido restabelecimento da normalidade no fluxo dos embarques e no reforço de nosso papel em prol da segurança alimentar global”, afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
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Com o fim do vazio sanitário iniciado em 22 de maio, a expectativa do setor é que exportações de carne de frango, ovos e derivados retornem gradualmente à normalidade. Alguns países já iniciaram esse processo.
A África do Sul, por exemplo, reduziu seu embargo, que antes valia para todo o Brasil, e agora se limita ao estado do Rio Grande do Sul. Em 2024, o país africano importou 325 mil toneladas de frango brasileiro. México e Rússia também adotaram medidas de regionalização semelhantes.
O surto em Montenegro, o único registrado em granja comercial no país, resultou na suspensão de importações por parte de importantes parceiros comerciais, incluindo a China.
O Ministério da Agricultura já iniciou a comunicação formal com os países que ainda mantêm restrições, solicitando a reavaliação dos embargos.
Casos continuam sob investigação
Apesar da retomada do status sanitário, o Brasil segue monitorando novos focos. Neste fim de semana (21), foi confirmado o 175º caso de IAAP no país. Assim como em mais de 93% dos registros, a ocorrência envolveu uma ave silvestre.
O caso foi registrado em Jaboticabal, interior de São Paulo, e envolveu uma marreca-cabocla (Dendrocygna autumnalis).
No momento, o país investiga 11 casos suspeitos da doença. Todos envolvem aves de subsistência ou silvestres — nenhuma granja comercial está sob análise.
Confira os casos em investigação:
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Garrafão do Norte (PA) – Galinha, ganso-chinês, galinha-d'angola e pato, doméstica
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Parauapebas (PA) – Galinha, doméstica
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Bambuí (MG) – Pombo, silvestre
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Novo Cruzeiro (MG) – Galinha, doméstica
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Sacramento (MG) – Galinha, doméstica
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São Joaquim de Bicas (MG) – Galinha, doméstica
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Simão Pereira (MG) – Gralha-azul, silvestre
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Nova Venécia (ES) – Galinha, doméstica
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Lençóis Paulista (SP) – Pombo, silvestre
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Poá (SP) – Pato-do-mato, silvestre
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Anaurilândia (MS) – Carcará, silvestre
Situação global: mortes humanas acendem alerta
Enquanto o Brasil caminha para a normalização de seu comércio avícola, o cenário global preocupa. No último sábado (21), o Ministério da Saúde do Camboja confirmou a quinta morte por gripe aviária no país em 2025, segundo a Band.
A vítima foi um homem de 52 anos, da região de Svay Rieng, que teve contato com galinhas doentes antes de apresentar sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar.
Desde janeiro, o Camboja já contabiliza cinco mortes. Em todos os episódios, houve contato direto com aves doentes.
Casos fatais também foram registrados em outros países neste ano. Nos Estados Unidos, um homem de 65 anos morreu após contato com aves domésticas contaminadas. Em abril, uma menina de oito anos morreu no México — com suspeita de contaminação em zoológico —, e outra criança morreu na Índia após, segundo a família, consumir carne de frango crua.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, até 22 de abril de 2025, foram confirmados 10 casos de gripe aviária em humanos neste ano. Entre 2003 e 2025, o total registrado chegou a 973 casos de H5N1 em humanos, com 470 mortes — uma taxa de letalidade de 48,3%.