Trabalhador contratado por safra poderá manter o Bolsa Família

    Proposta exclui salários temporários do cálculo da renda familiar e incentiva formalização no campo

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    Trabalhador contratado por safra poderá manter o Bolsa Família
    04deSetembrode2025ás11:51

    Trabalhadores rurais contratados por safra não perderão mais o acesso ao Bolsa Família apenas por formalizarem o vínculo empregatício durante a colheita.

    A mudança é prevista no Projeto de Lei 299/2025, de autoria do deputado Evair de Melo (PP-ES), que teve relatório aprovado nesta quarta-feira (3) pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados.

    O parecer, elaborado pelo deputado Coronel Meira (PL-PE),  estabelece que a remuneração obtida em contratos de safra não será considerada no cálculo da renda familiar per capita — critério utilizado para a manutenção ou concessão de benefícios sociais.

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    O texto também propõe a criação de um sistema eletrônico para registro dessas contratações, a ser desenvolvido pelo Poder Executivo.

    “O projeto corrige uma distorção que penaliza justamente os trabalhadores mais vulneráveis, que têm na colheita sua única oportunidade de gerar renda no ano. Precisamos garantir que a formalização não custe o acesso à assistência social”, afirmou Coronel Meira, que também coordena a área de Segurança no Campo da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

    Incentivo à formalização no campo

    Segundo os parlamentares, a proposta responde a uma realidade frequente em regiões onde a colheita é concentrada em poucas semanas.

    Nessas situações, o salário temporário pode elevar a renda acima do limite do Bolsa Família, levando à exclusão do programa e incentivando a informalidade.

    “Esse projeto tem como objetivo fomentar a formalização do trabalho temporário no campo, garantindo que os trabalhadores beneficiários de programas sociais não percam esses benefícios, que são essenciais fora dos períodos de safra”, explicou Evair de Melo, coordenador de Direito de Propriedade da FPA.

    O deputado lembrou que culturas como café, alho, batata, uva, maçã e cana-de-açúcar exigem grande volume de mão de obra em curtos períodos.

    “Sem segurança jurídica, muitos preferem não assinar contrato para não correr o risco de serem cortados do programa social”, alertou.

    Próximos passos

    Com a aprovação do relatório na CAPADR, o projeto segue agora para análise na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados.

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