Lula reforça Brics contra tarifaço dos EUA e diz que OMC aceita “chantagem tarifária”
Em cúpula virtual, presidente reagiu contra Trump, acusou os EUA de unilateralismo e defendeu refundação do comércio multilateral
Por |
O presidente ressaltou que o bloco reúne condições de ampliar sua integração econômica (Foto - Joédson Alves/Ag Brasil)
Em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, nesta segunda-feira (8), a necessidade de fortalecimento do Brics como alternativa ao sistema global de comércio.
Em discurso durante cúpula virtual organizada pelo Brasil, Lula afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) está paralisada e criticou a transformação da “chantagem tarifária” em prática recorrente no comércio internacional.
“O comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo”, disse Lula aos líderes do bloco.
Ele destacou que o Brics tem legitimidade para liderar “a refundação do sistema multilateral de comércio em bases modernas, flexíveis e voltadas às nossas necessidades de desenvolvimento”.
>> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
Segundo o presidente, a crise de governança mundial “não é conjuntural” e exige resposta coordenada.
“A OMC está paralisada há anos. Em poucas semanas, medidas unilaterais transformaram em letra morta princípios basilares do livre comércio. Agora assistimos ao enterro formal desses princípios. Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais”, declarou.
Lula reforçou que tarifas e sanções minam a soberania de países emergentes.
“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. A imposição de medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições. Sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos. Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo”.
Brics como alternativa
O presidente ressaltou que o bloco reúne condições de ampliar sua integração econômica.
“Juntos, representamos 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase 50% da população mundial. Reunimos as condições necessárias para promover uma industrialização verde, que gere emprego e renda em nossos países, sobretudo nos setores de alta tecnologia. Reunimos 33% das terras agricultáveis e respondemos por 42% da produção agropecuária global”, disse.
Ele também mencionou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) na diversificação das bases econômicas e no financiamento de projetos estratégicos.
Contexto político
A reunião foi fechada e o discurso divulgado pelo Palácio do Planalto. Em nota, a Presidência destacou que o encontro permitiu alinhar visões sobre como enfrentar riscos ligados às medidas unilaterais e fortalecer mecanismos de solidariedade e comércio entre os países do Brics.
O Brasil ocupa neste ano a presidência do bloco, que passou de cinco para 11 membros em 2024. Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, integram o grupo Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Participaram da cúpula virtual os presidentes de China, Rússia, África do Sul, Egito, Indonésia e Irã, além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, do chanceler da Índia e do vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia.
Tarifaço dos EUA
O aumento de tarifas anunciado pelo governo Donald Trump é visto como tentativa de recuperar competitividade frente à China e pressionar países alinhados ao Brics.
Especialistas avaliam que a medida também tem caráter político, mirando enfraquecer a proposta do bloco de reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais.
Na mesma reunião, o presidente da China, Xi Jinping, apresentou a Iniciativa de Governança Global (IGG), apontada como possível embrião de uma nova ordem mundial.
Participaram da cúpula virtual desta segunda-feira os líderes de China, Egito, Indonésia, Irã, Rússia, África do Sul, além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, do chanceler da Índia e do vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia.