Lavoro obtém apoio de credores para plano de reestruturação extrajudicial no Brasil
Distribuidora de insumos agrícolas reestrutura R$ 2,5 bilhões em dívidas comerciais e garante quórum legal para avanço do acordo
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A distribuidora de insumos agrícolas Lavoro anunciou ter obtido o apoio da maioria legal de seus credores fornecedores ao plano de reestruturação extrajudicial (RE) no Brasil.
O acordo envolve aproximadamente R$ 2,5 bilhões em dívidas comerciais e prevê pagamentos em um prazo de dois a cinco anos.
Segundo comunicado enviado nesta terça-feira (9) à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), onde a companhia é listada na Nasdaq, o plano atingiu o quórum exigido pela legislação brasileira, apoio de credores que representem mais de 50% do valor total dos créditos elegíveis.
Entre os fornecedores que aderiram formalmente estão Adama Brasil, UPL Brasil, FMC Agrícola, Basf, Ourofino e EuroChem. O pagamento será feito em parcelas semestrais, corrigidas pelo IPCA, com o objetivo de garantir continuidade no abastecimento e ampliar a flexibilidade financeira da empresa.
O acordo não envolve credores financeiros, funcionários, prestadores de serviços ou outras partes relacionadas à companhia. A reestruturação se limita às operações de varejo agrícola da Lavoro no Brasil, incluindo a subsidiária Perterra A informação foi divulgada pelo Globo Rural.
Negociações adicionais
Antes de alcançar a maioria legal, a Lavoro já havia repactuado dívidas com fornecedores que representavam entre 36% e 40% do passivo. Nos últimos meses, também negociou R$ 1,2 bilhão em dívidas de forma bilateral com bancos.
Além disso, a companhia informou que detém cerca de R$ 450 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Os titulares desses papéis aprovaram, em assembleia no dia 30 de julho, a renúncia ao direito de declarar o vencimento antecipado dos títulos.
No início do ano, a empresa anunciou a venda de 70 lojas.
Histórico do colapso
A crise da Lavoro começou a se delinear no ciclo 2023/24, quando uma combinação de fatores pressionou o setor agro: queda acentuada nos preços das commodities, retração no valor dos insumos, forte seca em regiões produtivas do Brasil e aperto no crédito aos produtores.
Esse cenário reduziu drasticamente as margens das distribuidoras e resultou em estoques caros, adquiridos a preços elevados e rapidamente desvalorizados.
O quadro se agravou com a recuperação judicial de uma grande concorrente do setor, que provocou um efeito dominó no mercado de financiamento de estoques.