Brasil está preparado para novas retaliações dos EUA, diz Fávaro

    Ministro afirma que país abriu 437 mercados, reduziu impacto do tarifaço de 50% e preservou empregos

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    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participa do programa Bom Dia, Ministro. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participa do programa Bom Dia, Ministro. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

    17deSetembrode2025ás14:40

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar a imposição de novas tarifas pelo governo dos Estados Unidos após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

    “Fico muito triste em ver um país, historicamente, grande defensor da democracia, da soberania, interferir em assuntos de outro país. Estamos preparados para enfrentar com altivez. O Brasil é soberano, o Brasil é dos brasileiros. Tomara que não aconteça, mas se vier, nós vamos estar de cabeça erguida, enfrentando qualquer tipo de adversidade”, disse durante o programa Bom Dia, Ministro nesta quarta-feira (17).

    Segundo o ministro, apenas três países no mundo têm superávit na balança comercial com os EUA, entre eles o Brasil.

    “Não dá para comemorar uma crise onde o governo norte-americano mexe com todas as relações comerciais com o mundo. Nada em especial com o Brasil. Só não faria sentido essa taxação aos produtos brasileiros.”

    Novos mercados reduziram impacto do tarifaço

    As parcerias do Brasil com novos mercados consumidores ajudaram a amenizar os efeitos do tarifaço norte-americano, segundo Fávaro.

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    Para ele, a estratégia foi fruto de um trabalho preventivo e de políticas públicas voltadas a apoiar empresas e preservar empregos.

    O ministro lembrou que, desde o início da atual gestão, o “feeling do presidente Lula” foi a abertura de novos mercados, ampliando o portfólio de destinos e permitindo ao Brasil redirecionar parte da produção que deixou de ser exportada aos EUA após a tarifa de 50% imposta a produtos brasileiros.

    “Buscamos a reconexão do Brasil. Abrimos 437 novos mercados nesses dois anos e nove meses. Um recorde absoluto. Nunca tivemos tantas opções”, afirmou Fávaro.

    Brasil está preparado para novas retaliações dos EUA, diz Fávaro

    Impacto menor que o previsto

    Segundo o ministro, as medidas reduziram o impacto esperado.

    “Isso fez com que o tarifaço dos EUA impactasse muito menos [do que era esperado]. Graças ao trabalho feito preventivamente, e intensificado agora, de aberturas de mercados; da procura e do restabelecimento de novas relações multilaterais”, disse.

    Entre os avanços, ele citou acordos bilaterais já assinados e outros em negociação, incluindo o entre Mercosul e União Europeia, que pode criar “o maior bloco econômico do mundo”. 

    Também destacou a intensificação das relações do Brasil com países do Brics, do Oriente Médio e do sudeste asiático.

    No último dia 12 de setembro, o Brasil recebeu autorização para exportar sebo bovino para Singapura, destinado ao uso industrial e à produção de biocombustíveis.

    Diversificação e exemplos recentes

    O ministro mencionou a venda de café para a China, que passou de uma única compra de US$ 500 milhões em 2024 para quase US$ 1 bilhão em 2025, e as exportações de carnes bovinas e suínas para o México, que já transformaram o país no segundo maior consumidor das proteínas brasileiras.

    “Os Estados Unidos são um grande comprador? São. Mas nós abrimos alternativas, nós geramos grandes oportunidades, e por isso eu posso com muita tranquilidade dizer que os impactos são muito menores que poderiam ter sido se nós não tivéssemos trabalhado preventivamente na busca de novos mercados”, afirmou.

    Apoio às empresas e empregos

    Fávaro reforçou que empresas altamente dependentes do mercado norte-americano já recebem “tratamento diferenciado e especial” do governo.

    Entre as medidas, citou a linha de financiamento de R$ 30 bilhões com juros acessíveis, o Reintegra especial para ressarcimento de tributos pagos na exportação e o uso de compras públicas para absorver produtos que perderam espaço no mercado externo.

    “Estamos atentos para garantir a sobrevivência das empresas e dos empregos também”, afirmou.

     

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