O que acontece agora com Bolsonaro?

    Ex-presidente é condenado, defesa recorre e Donald Trump reage

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    Com a decisão, Bolsonaro e os demais condenados foram enquadrados na Lei da Ficha Limpa (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

    Com a decisão, Bolsonaro e os demais condenados foram enquadrados na Lei da Ficha Limpa (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

    12deSetembrode2025ás09:02

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quinta-feira (11) o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado e à inelegibilidade por oito anos.

    A decisão também atingiu outros sete aliados, todos responsabilizados na ação penal da chamada trama golpista.

    Os réus foram condenados por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado.

    Com a decisão, Bolsonaro e os demais condenados foram enquadrados na Lei da Ficha Limpa, o que impede suas candidaturas a partir de agora.

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    No caso do ex-presidente, a inelegibilidade já valia até 2030, em razão de condenação anterior pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Recursos e próximos passos

    A decisão da Primeira Turma não é definitiva. As defesas ainda podem apresentar embargos de declaração — recurso usado para questionar omissões ou contradições no acórdão.

    Esse tipo de medida, porém, dificilmente altera o mérito do julgamento e costuma ser rejeitado.

    Após a análise dos recursos, o relator, ministro Alexandre de Moraes, poderá determinar o início do cumprimento das penas.

    Como o placar foi de 4 votos a 1, não há possibilidade de levar o caso ao plenário do STF, já que seriam necessários ao menos dois votos pela absolvição.

    Prisão especial

    Os réus não devem ser encaminhados a celas comuns. Pelo Código de Processo Penal (CPP), oficiais das Forças Armadas têm direito a prisão especial. Entre os condenados estão cinco generais, um almirante e dois delegados da Polícia Federal.

    A lista inclui Alexandre Ramagem (delegado da PF e deputado federal, ex-diretor da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro e candidato a vice em 2022).

    O ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que firmou delação premiada, não cumprirá pena.

    Confira as penas definidas para os condenados:

    • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República: 27 anos e três meses;

    • Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice em 2022: 26 anos;

    • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha: 24 anos;

    • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF: 24 anos;

    • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos;

    • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa: 19 anos;

    • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro: 2 anos em regime aberto e liberdade garantida pela delação premiada;

    • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos, um mês e 15 dias

    Reações dos Estados Unidos

    O presidente norte-americano, Donald Trump, criticou a decisão do STF. Ao deixar a Casa Branca, afirmou que “a condenação é muito ruim para o Brasil” e classificou Bolsonaro como “um líder exemplar”.

    “Eu assisti ao julgamento, conheço-o muito bem. Como líder estrangeiro, achei que ele foi um bom presidente. É muito surpreendente que isso pudesse acontecer. É muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram de forma alguma. Ele foi um bom homem, e não vejo isso acontecendo”, disse Trump.

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também atacou a decisão.

    “As perseguições políticas do violador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, já que ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal decidiram injustamente prender o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos responderão adequadamente a essa caça às bruxas”, escreveu no X.

    Rubio, contudo, não detalhou que tipo de retaliações Washington poderia adotar contra o Brasil ou contra autoridades ligadas ao julgamento.

    Defesa contesta decisão

    A defesa de Bolsonaro informou que recorrerá em todas as instâncias possíveis, inclusive internacionais. Em nota, os advogados Celso Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno classificaram as penas como “absurdamente excessivas e desproporcionais”.

    “A defesa do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, recebe a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal com respeito. Contudo não pode deixar de manifestar profunda discordância e indignação com os termos da decisão majoritária. Nesse sentido, continuaremos a sustentar que o ex-presidente não atentou contra o Estado Democrático, jamais participou de qualquer plano e muito menos dos atos ocorridos em 08 de janeiro.”

    Os advogados também afirmaram que o julgamento deveria ter ocorrido em primeira instância ou no plenário do STF:

    “Não podemos deixar de dizer, com todo o respeito, que a falta de tempo hábil para analisar a prova impediu a defesa de forma definitiva.”

     

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