Trump aplica Lei Magnitsky e sanciona esposa de Alexandre de Moraes
Medida inclui bloqueio de bens nos EUA e atinge também o Instituto Lex, entidade da família do ministro
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Alexandre de Moraes no segundo dia de sessão do STF do julgamento dos primeiros oito réus da trama golpista. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
O governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (22) sanções contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A medida foi aplicada com base na Lei Magnitsky, utilizada pelos norte-americanos para punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
O Instituto Lex, entidade fundada pela família do ministro no ano 2000 e atualmente administrada por Viviane e seus filhos, também foi incluído na lista.
Com a designação, todos os eventuais bens da advogada em território americano ficam bloqueados, assim como empresas a ela vinculadas.
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Além disso, tanto Viviane quanto Alexandre de Moraes — que já havia sido alvo da mesma legislação em julho — estão impedidos de realizar transações financeiras nos Estados Unidos, o que inclui operações com bancos e uso de cartões de crédito emitidos por instituições americanas.
A decisão foi oficializada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, e representa uma das reações prometidas por Trump à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo.
Para o republicano, a sentença contra Bolsonaro faz parte de uma “caça às bruxas”, argumento que ele tem usado para justificar novas retaliações contra autoridades brasileiras.
BNDES já liberou R$ 1,2 bi em crédito para empresas atingidas pelo tarifaço dos EUA
Em apenas dois dias após a abertura para pedidos, o Plano Brasil Soberano já aprovou R$ 1,2 bilhão em financiamentos para empresas brasileiras impactadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
O programa, criado para socorrer exportadores atingidos pelas novas barreiras comerciais americanas, prevê R$ 40 bilhões em crédito, com taxas subsidiadas. A medida busca dar fôlego a negócios que enfrentam tarifas de até 50% nas vendas externas.
De acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela execução do plano, 533 empresas já apresentaram solicitações que somam R$ 3,1 bilhões.
Do total, R$ 1,2 bilhão foi liberado, enquanto R$ 1,9 bilhão segue em análise. Os dados foram atualizados na noite de sexta-feira (19).
O Brasil Soberano conta com R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e outros R$ 10 bilhões de recursos do próprio BNDES.
Os financiamentos podem ser usados em linhas de capital de giro, adaptação da atividade produtiva, compra de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.
Uma das contrapartidas exigidas das empresas é o compromisso de não realizar demissões.
Perfil das empresas
Entre quinta (18) e sexta-feira (19), foram aprovadas 75 operações de crédito, todas destinadas a capital de giro.
A indústria de transformação respondeu por 84,1% das aprovações. Em seguida aparecem agropecuária (6,1%), comércio e serviços (5,7%) e indústria extrativa (4,2%). Pequenas e médias empresas representaram quase um terço (30%) do valor total liberado.
Ao todo, 2.236 companhias acessaram o sistema do BNDES para verificar elegibilidade ao programa. Dessas, 533 foram consideradas aptas, por terem ao menos 5% do faturamento bruto, entre julho de 2024 e julho de 2025, formado por produtos incluídos na lista de tarifação.
Impactos do tarifaço
Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) aponta que, em agosto, as exportações brasileiras de produtos atingidos pelas tarifas caíram 22,4% na comparação anual.
Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as tarifas de até 50% atingem 35,9% das exportações brasileiras para os EUA.