Ministério da Saúde amplia envio de antídoto contra metanol e alcança nove estados
Nova remessa de etanol farmacêutico chega a mais quatro estados; Polícia Federal investiga uso de metanol em bebidas adulteradas
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Com o aumento dos casos de bebidas e combustíveis falsificados, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de etanol farmacêutico, usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol.
Uma nova remessa do produto começou a ser enviada nesta terça-feira (7) a mais quatro estados, ampliando para nove o número de unidades da federação abastecidas.
No total, já foram entregues 1.125 frascos do medicamento.
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Estados que receberam o antídoto
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Acre: 30 ampolas
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Bahia: 90 ampolas
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Ceará: 120 ampolas
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Distrito Federal: 90 ampolas
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Goiás: 75 ampolas
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Mato Grosso do Sul: 60 ampolas
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Pernambuco: 240 ampolas
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Paraná: 360 ampolas
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Rio de Janeiro: 60 ampolas
As ampolas fazem parte do estoque estruturado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A estratégia garante a reposição e o envio conforme a demanda de cada estado.
O ministério também confirmou a aquisição de mais 60 mil ampolas, que devem reforçar o estoque nacional.
Fomepizol deve chegar ainda nesta semana
Paralelamente, o governo adquiriu 2,5 mil unidades de fomepizol, outro antídoto usado contra a intoxicação por metanol, fabricado por uma empresa japonesa.
A companhia ainda doou 100 unidades adicionais, totalizando 2,6 mil frascos.
A expectativa é que o lote chegue ao Brasil ainda nesta semana, com distribuição imediata aos estados mais afetados.
Polícia Federal investiga uso de metanol em bebidas falsificadas
A Polícia Federal apura se o metanol abandonado por criminosos após operações contra o crime organizado no setor de combustíveis estaria sendo usado para adulterar bebidas alcoólicas.
A informação foi confirmada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em entrevista coletiva nesta terça-feira (7).
“Muitos caminhões e tanques de metanol foram abandonados depois desta operação. E esta é uma hipótese que está sendo estudada, trilhada e acalentada pela Polícia Federal”, afirmou o ministro.
Lewandowski explicou que a apuração busca determinar a origem do metanol — se derivado de combustíveis fósseis ou de processos agrícolas.
“Se esta é a origem do metanol que está adulterando as bebidas, a atuação repressiva será numa direção. Se esse metanol tiver origem em produtos agrícolas, a repressão terá outros alvos”, disse.
O ministro não descartou ligação entre o crime organizado e as falsificações de bebidas alcoólicas, que vêm provocando casos de intoxicação por metanol em várias regiões do país.
Na semana passada, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, negou que os episódios registrados no estado — o que concentra o maior número de casos e mortes — tenham relação com facções criminosas.
Governo promete reforçar controle sobre materiais de falsificação
Lewandowski também afirmou que o governo vai reforçar a fiscalização sobre sites que comercializam rótulos, lacres, tampas e garrafas, materiais frequentemente usados em esquemas de falsificação.
A medida será coordenada pela Secretaria Nacional do Consumidor, com apoio do Ministério da Agricultura e da Receita Federal.
Após reunião com representantes da indústria, o ministro anunciou a criação de um comitê informal de enfrentamento às bebidas adulteradas com metanol, formado por representantes do setor público e privado.
A proposta é integrar ações repressivas e protetivas, fortalecendo a troca de informações e boas práticas.
“A ideia é planejar tanto ações repressivas, contra aqueles que atuaram na adulteração das bebidas, quanto protetivas para o setor de bebidas”, disse Lewandowski.