Exportações de café despencam com tarifaço de Trump sobre o Brasil

    EUA cortam mais da metade das compras e Cecafé cobra reação imediata do governo

    Exportações de café despencam com tarifaço de Trump sobre o Brasil
    10deOutubrode2025ás09:34

    No início da semana, o  presidente americano Donald Trump admitiu que os Estados Unidos estão “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros afetados pela tarifa de 50% imposta por seu governo, citando especificamente o café.

    E parece que os exportadores brasileiros também estão com saudade dos EUA.

    Isso porque, em setembro, as exportações de café do Brasil despencaram 18,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Ao todo, o país embarcou 3,75 milhões de sacas de 60 kg, frente às 4,59 milhões registradas em setembro de 2024. Apesar da retração, a receita cambial avançou 11,1%, somando US$ 1,36 bilhão.

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    Nos três primeiros meses do ano-safra 2025/26, o desempenho foi semelhante: 9,676 milhões de sacas exportadas (queda de 20,6%) e receita 12% maior, em US$ 3,521 bilhões.

    No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o Brasil exportou 29,105 milhões de sacas, recuo de 20,5% em relação aos 36,593 milhões de igual período de 2024.

    A receita, contudo, cresceu 30%, passando de US$ 8,499 bilhões para US$ 11,049 bilhões.

    Tarifaço dos EUA derruba embarques

    O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que a queda já era esperada após o volume recorde exportado em 2024 e a redução de estoques, mas destaca que o cenário foi agravado pela tarifa de 50% imposta por Trump sobre os cafés brasileiros.

    “O declínio foi potencializado pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente americano, Donald Trump, sobre os cafés do Brasil, que impactou fortemente os embarques aos EUA, que são o maior consumidor mundial e o principal importador do produto brasileiro”, analisa Ferreira.

    Em setembro, os Estados Unidos reduziram em 52,8% as importações de café do Brasil frente ao mesmo mês do ano anterior, comprando 332.831 sacas.

    Com isso, caíram para o terceiro lugar no ranking mensal, atrás da Alemanha (654.638 sacas) e da Itália (334.654 sacas), que também registraram quedas de 16,9% e 23%, respectivamente.

    Cecafé cobra reação do governo

    Ferreira afirma que não é possível renunciar ao mercado americano, que segue como o principal destino do café brasileiro no acumulado do ano.

    Ele defende ação imediata do governo federal após os recentes sinais de reaproximação diplomática.

    “O Poder Executivo precisa se mobilizar com urgência em prol do país. Não existe mais o receio de não haver abertura ao diálogo diplomático, e os exportadores brasileiros já sofrem fortes impactos nesses dois meses de vigência das taxas, com nossos parceiros americanos solicitando a postergação ou mesmo o cancelamento dos negócios devido ao elevado encarecimento do produto impulsionado pelo tarifaço”, afirma.

    O presidente do Cecafé informou ainda que a entidade solicitou reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que coordena o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais.

    “Somos os maiores produtores e exportadores globais e os Estados Unidos os principais importadores e consumidores do mundo. Respondemos por mais de um terço de tudo que é movimentado com café nos EUA, onde 76% da população consome a bebida. Não podemos relativizar o mercado americano, tampouco eles podem abrir mão do nosso produto", diz, para concluir.

    "Os setores privados brasileiro e americano seguem fazendo seu dever de casa; o café está em uma lista de possíveis isenções das tarifas, mas, para isso, é necessário haver relacionamento bilateral. Ou seja, é mais do que hora de agir”, completa.

    Principais destinos

    Mesmo com o impacto das tarifas, os EUA seguem como o maior comprador de café brasileiro entre janeiro e setembro de 2025, com 4,361 milhões de sacas, queda de 24,7% em relação a 2024. O volume representa 15% das exportações totais do país.

    Na sequência aparecem:

    • Alemanha: 3,727 milhões de sacas (-30,5%);

    • Itália: 2,324 milhões (-23,3%);

    • Japão: 1,891 milhão (+15%);

    • Bélgica: 1,703 milhão (-48,8%).

    Tipos de café

    O arábica segue predominando nas exportações brasileiras, com 23,200 milhões de sacas, o equivalente a 79,7% do total, ainda que represente queda de 12,5% frente ao mesmo período anterior.
    Na sequência estão:

    • Canéfora (conilon + robusta): 3,062 milhões (10,5%);

    • Solúvel: 2,799 milhões (9,6%);

    • Torrado e torrado e moído: 43.644 sacas (0,1%).

    Cafés diferenciados

    Os cafés com certificação de qualidade ou sustentabilidade representaram 20,3% das exportações totais entre janeiro e setembro, com 5,913 milhões de sacas, retração de 11% frente ao mesmo período de 2024.

    Mesmo com menor volume, a receita cambial saltou 48,6%, alcançando US$ 2,513 bilhões, com preço médio de US$ 425 por saca, o equivalente a 22,7% da receita total.

    Os EUA lideram o ranking de cafés diferenciados, com 987.499 sacas (16,7% do total), seguidos por:

    • Alemanha: 825.657 sacas (14%);

    • Bélgica: 667.883 (11,3%);

    • Holanda: 508.722 (8,6%);

    • Itália: 387.065 (6,5%).

    Portos de embarque

    O Porto de Santos manteve a liderança, responsável por 23,093 milhões de sacas (79,3%) nos nove primeiros meses de 2025.
    Depois aparecem:

    • Complexo portuário do Rio de Janeiro: 4,926 milhões (16,9%);

    • Paranaguá (PR): 279.155 sacas (1%).

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