Após conversa entre Lula e Trump, quais são os próximos passos para reaproximação entre Brasil e Estados Unidos

    Equipes técnicas devem discutir revisão de tarifas e preparar possível encontro presencial entre os presidentes

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    Após conversa entre Lula e Trump, quais são os próximos passos para reaproximação entre Brasil e Estados Unidos
    07deOutubrode2025ás09:24

    A conversa por videoconferência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o norte-americano Donald Trump, nesta segunda-feira (6), marcou o primeiro sinal de reaproximação política e comercial entre Brasil e Estados Unidos desde o início das tensões provocadas pelas tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros.

    Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo durou cerca de meia hora e teve tom amistoso.

    Lula pediu o fim das sobretaxas sobre exportações brasileiras e defendeu que as duas maiores economias do continente “retomem uma agenda positiva baseada no comércio, na geração de empregos e no respeito mútuo”.

    Trump também descreveu o contato como “muito bom” e afirmou que os países “vão se dar muito bem juntos”, sinalizando disposição para um novo encontro “em um futuro não muito distante, no Brasil ou nos Estados Unidos”.

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    Próximos passos: diplomacia técnica e encontro presencial

    Após o contato dos dois líderes, os próximos passos passam agora por reuniões entre as equipes diplomáticas e econômicas de ambos os governos.

    De acordo com fontes, Itamaraty e Departamento de Estado americano devem iniciar, ainda em outubro, conversas técnicas sobre comércio, tarifas e cooperação econômica.

    Durante a videoconferência, Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para conduzir as negociações com Geraldo Alckmin (vice-presidente), Mauro Vieira (ministro das Relações Exteriroes) e Fernando Haddad (ministro da Fazenda).

    O objetivo imediato é revisar as medidas adotadas por Washington nos últimos meses, especialmente as tarifas sobre produtos agrícolas e manufaturados brasileiros.

    A avaliação dentro do governo é de que o diálogo pode contribuir para reduzir tensões e restabelecer o equilíbrio comercial entre os dois países.

    Além da agenda econômica, os líderes também manifestaram intenção de se encontrar pessoalmente em breve. Lula sugeriu que o encontro ocorra durante a Cúpula da ASEAN, na Malásia, e reiterou o convite para que Trump participe da COP30, em Belém (PA).

    O formato — bilateral ou à margem de outro evento internacional — ainda está em discussão. 

    Interesses em jogo

    Nos bastidores, diplomatas avaliam que o gesto de aproximação atende aos dois lados: Lula busca reduzir tensões e garantir previsibilidade ao comércio exterior, enquanto Trump tenta projetar uma imagem de pragmatismo diante da América Latina, após um início de mandato marcado por medidas protecionistas.

    “Esse diálogo abre espaço para uma relação mais madura, mas ainda há desconfiança de ambos os lados. Tudo dependerá da postura concreta dos próximos meses”, analisa o cientista político Creomar de Souza em entrevista para CNN.

    Entre os pontos de maior atenção estão as pressões internas nos Estados Unidos, onde setores industriais resistem à retirada das tarifas, e a necessidade do Brasil de manter equilíbrio político sem se afastar de parceiros estratégicos como China e União Europeia. 

    Sinal de pragmatismo

    Embora a conversa não tenha resultado em acordos imediatos, o gesto é visto como um passo importante para reconstruir pontes diplomáticas.

    “O simples fato de Lula e Trump conversarem já muda o clima. O desafio agora é transformar o diálogo em resultados práticos”, resume um integrante do governo brasileiro.

    Para ambos os países, os próximos meses serão decisivos. Se as tratativas avançarem, o encontro entre os dois presidentes poderá simbolizar uma nova fase das relações bilaterais — menos ideológica e mais voltada ao comércio, à energia e ao meio ambiente.

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